Araçatuba, SP, 29 (AE) - Entidades oficiais e não-governamentais ligadas ao meio ambiente em Araçatuba, a 550 quilômetros de São Paulo, reúnem-se nesta quinta-feira, na Câmara Municipal, para pedir o fim da pesca com rede no rio Tietê. A pesca turística nos lagos de hidrelétricas tem grande importância econômica , mas o uso de redes autorizado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) está acabando com a fauna aquática, denunciam os ambientalistas, Polícia Florestal e prefeitos.
O secretário estadual do Meio Ambiente, Ricardo Trípoli, confirmou presença e garantiu ser simpático à proibição do uso de redes no Tietê. Mas a lei determina que a competência de fiscalização é do Ibama. Os técnicos do instituto liberam o uso de redes com até 100 metros de extensão, mas os pescadores acabam emendando uma na outra e fechando todo o rio com as telas de malhas estreitas.
A Associação Amigos do Rio Tietê, primeira entidade a denunciar e manifestar-se contra a pesca com rede, reafirma a importância de preserver espécies como corvina e tucunaré. Eles foram introduzidos por programas de repovoamento da Companhia Energética de São Paulo e hoje movimentam o turismo em mais de 100 municípios próximos ao rio, no noroeste do Estado.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho disse que é favorável à proibição da pesca com redes no rio Tietê. O Ibama
orgão vinculado à sua pasta é contra, pois defende exatamente a extinção de corvinas e tucunarés, considerados predadores no ecossistema do Tietê. Sarney Filho disse que pretende dar mais autonomia ao Estado de São Paulo, para em breve os critérios de preservação serem definidos pela Secretaria do Meio Ambiente e Comitês Regionais de Microbacias. Para o ministro, a preservação também deve atender às exigências sociais e econômicas da região e "o estado de São Paulo possui entidades capazes de fazer isso".
A Secretaria do Meio Ambiente entregou 18 novos barcos à Polícia Florestal da região para fiscalizar cerca de mil quilômetros de rios. Desse total 400 quilômetros são do Tietê, onde o maior problema é a pesca predatória e a caça de pequenos animais, como capivara, nas áreas alagadas.

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