Ambientalistas querem acionar indústrias por sujeira no Tietê
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por José Maria Tomazela 
Salto, SP, 16 (AE) - O Instituto de Desenvolvimento Regional (Inder) e entidades ambientalistas de Salto, a 98 quilômetros de São Paulo, pretendem responsabilizar judicialmente as indústrias de bebidas pelo lixo flutuante que, a cada chuva, desce pelo Rio Tietê, poluindo as cidades ribeirinhas. Segundo o diretor do Inder, vereador Geraldo Garcia (PSDB), as garrafas plásticas do tipo PET, usadas principalmente pelas fábricas de refrigerantes, são a maior parte desse lixo.
Garcia contou que a medida já foi adotada pelo Movimento em Defesa da Vida (MDV), de Diadema, pela preservação da Represa Billings. A entidade ambiental protocolou, no início deste mês, representação no Ministério Público Estadual contra as indústrias fabricantes e usuárias de garrafas PET para obrigá-las a recolher os vasilhames. "A Billings é afetada por esse problema quando há o bombeamento das águas do Rio Pinheiros
o que acontece esporadicamente", disse. Os municípios ribeirinhos do Tietê, à jusante da Capital, sofrem com a mesma poluição diariamente, segundo ele.
As garrafas plásticas que descem pelo Tietê se acumulam nas margens do rio e produzem um impacto visual negativo, prejudicando o turismo nas cidades de Pirapora do Bom Jesus, Salto, Porto Feliz, Tietê e Barra Bonita, segundo Garcia. Essa região está investindo na criação do pólo turístico conhecido como "roteiro dos bandeirantes", explorando locais usados no passado pelos monçoeiros que navegavam pelo Rio Tietê.
"Temos um projeto de navegação entre Salto e Porto Feliz, mas fica difícil colocá-lo em prática com o rio cheio de sujeira." Segundo o vereador, as garrafas PET não são recolhidas pelos sucateiros, a exemplo do que acontece com as latas de alumínio. "Você não vê latinhas de bebida no rio." É que o quilo de alumínio - cerca de 55 latinhas - está cotado a R$ 1,00. Já o quilo de PET - são necessárias 68 garrafas de dois litros - vale apenas R$ 0,15. Segundo Garcia, o objetivo da ação será obrigar as empresas fabricantes e usuárias a recolher os vasilhames usados, a exemplo do que passará a contecer com as pilhas e baterias.
Ele encomendou estudos sobre o encaminhamento jurídico do caso e está obtendo a adesão das entidades ambientais da região."Vamos levar essa questão ao Congresso Nacional", disse.


