Ambientalistas pressionam deputados pela aprovação do projeto de proteção da mata atlântica
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quinta-feira, 23 de setembro de 1999
Por Chico Araújo, especial para a AE 
Brasília, 24 (AE) - Dirigentes das entidades que compõem a Rede de Organizações Não-Governamentais (ONGs) da Mata Atlântica, que somam 171 em 17 Estados, vão pressionar a Câmara dos Deputados a aprovar o projeto de lei que prevê a proteção daquela área de floresta. Na quinta-feira (30), um grupo de 250 alunos da Escola Classe 206 Sul e a Companhia de Teatro Esquadrão da Vida, de Brasília, entregam ao presidente da Câmara
Michel Temer (PMDB-SP), e ao ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, 150 mil desenhos que têm como tema a Mata Atlântica para sensibilizá-los da necessidade da aprovação do projeto. Cópias do documento também serão entregues ao presidente da Comissão de Meio Ambiente e de Agricultura da Casa.
O projeto de preservação da mata atlântica tem como relator o deputado Luciano Pizzatto (PFL-PR), que quinta-feira fará uma audiência pública para discutir a proposta. A iniciativa visa permitir que representantes dos ambientalistas e a bancada ruralista, que é contrária ao projeto, discutam a proposta com mais profundidade. Para os ruralistas, o projeto, se provado, vai congelar a economia agrícola. Segundo a representante da Rede ONGs da Mata Atlântica em Brasília, Miriam Prochnow, o argumento usado é ridículo e sem sentido.
A mobilização da próxima semana tem como objetivo garantir, na Câmara, a transformação em lei a preservação da área. Dos 1,2 milhões de quilômetros de sua cobertura original, a mata atlântica tem apenas 7,3% preservados, o equivalente a 94 mil quilômetros quadrados em toda a faixa que corta 17 Estados brasileiros, incluindo matas secundárias. Entre 1990 e 1995, segundo estudos da Fundação SOS Mata Atlântica, Instituto Socioambiental e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o País perdeu mais de 500 mil hectares de florestas.
"A preservação da mata atlântica é um dever de todos", destaca Miriam Prochnow, quando lembra ser significativa a diversidade biológica da área. Na mata atlântica, segundo ela, existem 261 espécies de mamíferos, 620 de pássaros e 260 de anfíbios, enquanto a diversidade botânica registra 454 espécies lenhosas num único hectare no sul da Bahia e 476 espécies em amostras no norte do Espírito Santo.


