Ambientalistas mantêm alerta sobre Código
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quinta-feira, 06 de setembro de 2001
Israel Reinstein 
A decisão da Comissão Mista do Código Florestal em aprovar, na última quarta-feira, o parecer do deputado federal Moacir Micheletto (PMDB-PR) não surpreendeu e nem preocupou os ambientalistas do Estado. Na opinião do presidente da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Borges, a votação que autoriza a mudança do Código era esperada, por causa da grande presença de ruralista na comissão. Mas ele alertou que o projeto não deverá virar lei.
''Esse relatório que permite o aumento do desmatamento de florestas não vai ao plenário, porque o presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, comprometeram-se a não permitir a votação'', disse. O texto aprovado reduz o percentual de reserva legal no cerrado amazônico de 35% para 20% e permite o desmatamento em até 80% na Amazônia Legal, dependendo do resultado do zoneamento ecológico econômico.
Borges disse que, mesmo com as palavras de Cardoso e Sarney Filho, os ambientalistas vão continuar em alerta. ''Ainda não dá para baixar a guarda'', alertou.
Uma das razões para manter a vigilância sobre o destino desse projeto é a pressão dos ruralistas e madeireiros. ''Existem grande lobbys das madeireiras que querem destruir o que resta da floresta brasileira'', criticou a presidente da Associação de Defesa do Meio Ambiente de Araucária (Amar), Lídia Lucaski. Ela declarou que há até interesses de grupos internacionais.
Lídia entende que a proposta de Micheletto não pode ser aprovada, porque é retrocesso ao processo de conservação da mata brasileira. No caso da Amazônia, ela afirma que a mobilização dos ambientalistas deve ser internacional, já que o patrimônio vegetal e animal da região é da humanidade. ''É preciso barrar propostas como a do deputado motosserra, que quer destruir tudo'', criticou a ambientalista, ao se referir ao relatório de Moacir Micheletto. A Folha ligou no celular do deputado federal paranaense, mas não conseguiu encontrá-lo, para que se pronunciasse sobre o assunto.


