A população parou, ao meio-dia, na Rua XV de Novembro, no centro de Curitiba, para assistir a uma performance de ambientalistas para marcar o Dia do Meio Ambiente, comemorado mundialmente ontem. Os focos dos protestos foram a devastação das florestas, a lei do deputado federal Moacyr Micheletto (PMDB/PR), que pretende restringir as áreas de proteção ambiental, e a divulgação da 8ª edição da Lista Suja do Paraná (ver nesta página). Trata-se de uma listagem, elaborada pelo sétimo ano seguido por entidades ambientais, com o nome de empresas e órgãos públicos, considerados ‘‘culpados’’ por crimes contra o meio ambiente.
Os manifestantes também aproveitaram para fazer o lançamento, no Paraná, da Campanha Desmatamento Zero. O objetivo é coletar um milhão de assinaturas em todo País para pressionar o Congresso Nacional a aprovar um projeto de lei de autoria dos deputados Fábio Feldmann (PSDB/SP) e Jaques Wagner (PT/BA), que está tramitando no Congresso desde 1992. O projeto determina normas para a utilização e proteção dos recursos naturais da Mata Atlântica. Só no Paraná, o movimento espera recolher 50 mil assinaturas.
Durante a manifestação, cerca de 100 ambientalistas foram até a barraca da prefeitura - montada no local também em comemoração à Semana do Meio Ambiente. No local, simbolizando a mata do Paraná, alguns participantes foram ‘‘derrubados’’ por motosserras. Em seguida, uma bandeira do Paraná foi estendida sobre as pessoas deitadas no chão, numa alusão ao Estado devastado, enquanto um ‘‘juiz’’ leu a Lista Suja do Estado, condenando as empresas e órgãos públicos pelos crimes cometidos.
‘‘Só restam no Brasil 7% da Mata Atlântica original existente no País. No Paraná é ainda pior, só existem 5% dos remanescentes do Estado’’, explicou Tiaraju Fialho, presidente do Instituto Gaia, uma das organizações não-governamentais (ONGs) responsáveis pela manifestação.
O grande vilão da 8ª Lista Suja, segundo Fialho, é o governo do Estado. ‘‘A lista enfoca principalmente a falta de uma política governamental de preservação ao meio ambiente. O governo está presente na lista desde 95, ou seja, há seis anos ele é citado sem que se sinta mudanças em sua postura com relação ao ambiente’’, diz.
A Lista Suja foi elaborada por representantes de seis ONGs de proteção ao Meio Ambiente, que elegeram e divulgaram, ontem, o nome de 33 órgãos públicos e indústrias acusados de contribuir para a degradação do meio ambiente. Ao contrário de outros anos, os ambientalistas inovaram, organizando os crimes cometidos contra a natureza em nove grandes grupos.
Participaram da escolha a Associação do Meio Ambiente de Araucária (Amar), Instituto Gaia, Liga Ambiental, Mater Natura - Instituto de Estudos Ambientais, Rede Verde de Informações Ambientais e Sociedade de Pesquisa à Vida Selvagem e Educação Ambiental (SPVS).
Debate Em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, a Prefeitura de Curitiba montou ontem uma barraca na Boca Maldita (centro) para debater com a população medidas de preservação ambiental e divulgar ações desenvolvidas na área. A prefeitura também lançou um programa de educação ambiental, chamado ‘‘Verde Cidade Ambiente com Qualidade’’ e direcionado aos servidores municipais. O programa prevê ações para economia de energia elétrica, separação de materiais recicláveis e redução do uso de material descartável nos espaços da prefeitura.

A 8ª LISTA SUJA DO PARANÁ

mockup