Ambientalistas lançam campanha para fechar estrada no Parque do Iguaçu
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Evandro Fadel 
Curitiba, 19 (AE) - Entidades ambientalistas lançaram hoje, em Curitiba, uma campanha com o objetivo de sensibilizar o presidente Fernando Henrique Cardoso para o fechamento da Estrada do Colono, que corta o Parque Nacional do Iguaçu, no oeste do Paraná. Fechada por determinação judicial em 1986, ela foi invadida há dois anos por moradores da região e, desde então
vem recebendo tráfego, com pedágio cobrado pela Associação de Integração Pró-Reabertura da Estrada do Colono.
As entidades ambientalistas querem que a população envie pelo menos 60 mil cartões postais ao presidente. Eles são encontrados nas sedes das entidades em todo o País. A pessoa deve apenas assinar o cartão, selar e enviar a Brasília. O endereço do destinatário já está impresso.
O Greenpeace e o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) também distribuirão os cartões, via Internet, para cerca de 100 países. O temor é de que a Unesco, órgão das Nações Unidas, inclua o parque, única área natural brasileira considerada patrimônio da humanidade, na relação de patrimônio ameaçado.
De acordo com a ambientalista paranaense Teresa Urban, o técnico da Unesco Warren Nichols esteve no fim de março visitando a região e, em seu relatório, diz que a estrada deve ser fechada. A reunião da Unesco acontecerá em Paris em junho. "Será uma vergonha para o País se o parque for colocado na relação de patrimônio ameaçado", diz Teresa. e acordo com ela, essa classificação é dada apenas a áreas naturais em regiões de guerra ou onde a pobreza é extrema.
Com 185 mil hectares, o Parque Nacional do Iguaçu, criado em 1939, é a maior área contínua de floresta do Sul do Brasil. A Estrada do Colono, construída em 1954 pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER) do Paraná, tem 18 quilômetros de extensão e corta o parque em partes praticamente iguais, ligando os municípios de Capanema e Medianeira. A intenção do governo estadual era asfaltar a estrada.
Em 1986 a Justiça Federal acatou uma ação, determinando o fechamento da estrada. O governo do Estado e municípios da região passaram, então, a exigir a abertura, recorrendo da sentença. A questão continua sendo discutida na Justiça. Em dez anos de fechamento, a estrada foi coberta pela vegetação novamente. Em maio de 97, ela foi invadida e reaberta.
As entidades ambientalistas pretendem que a estrada fique fechada, pelo menos enquanto não sair a decisão definitiva da Justiça e não for encerrado o plano de manejo que está sendo coordenado pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).


