O diretor da Fundação SOS Mata Atlântica, Mário Mantovani, afirmou ontem que pela primeira vez o governo federal tomou uma decisão acertada sobre a Estrada do Colono. ‘‘A estrada estava aberta por incompetência, inoperância e falta de vontade política. Mas é preciso ter cuidado porque este é um momento político e a reabertura pode ser usada como um palanque eleitoral’’, afirmou.
Para Mantovani, ficou comprovado que ‘‘a reabertura da estrada serviu apenas para engordar os cofres das autoridades envolvidas e garantir a manipulação da comunidade local’’. Ele comentou: ‘‘Agora é o momento de mobilizar todos que sempre lutaram pelo fechamento da estrada a apoiar a decisão do governo e fazer que ela seja definitiva.’’
O coordenador nacional da Rede de Organizações Não-Governamentais (ONGs) da Mata Atlântica, Renato Cunha, disse que a reabertura da estrada era um exemplo negativo para a proteção dos parques nacionais. ‘‘Recebemos essa notícia com grande alegria porque era uma reivindicação antiga que, apesar de tardia, acontece num momento oportuno.’’
Para Cunha, a reabertura da estrada era motivada pela conivência do governo do Estado com prefeitos da região. ‘‘O governo federal estava disposto a determinar o fechamento, mas encontrava resistência política. Apesar de radical, essa estratégia usada para o fechamento é a ideal. Vamos colaborar de todas as formas para manter a estrada fechada’’, disse.
A Secretaria Estadual do Meio Ambiente informou que não vai medir esforços para garantir a manutenção do fechamento da estrada. O secretário estadual do Meio Ambiente, José Antônio Andreguetto, disse que a decisão judicial é irreversível. Segundo Andregueto, ninguém ‘‘em nome de uma revolta pessoal’’, pode interferir na preservação do patrimônio ambiental. Ele não descarta a possiblidade de pedir mais reforços para garantir a integridade do Parque Nacional do Iguaçu.
O secretário do meio ambiente classifica a atitude da população contrária ao fechamento da estrada como inconsequente. ‘‘A decisão judicial deve ser respeitada. Quem quer o contrário não sabe perder’’, disse Andreguetto. Para ele, a secretaria e os demais órgãos ambientais não podem admitir que fatos isolados ameacem o parque.
Para evitar conflitos, a secretaria está orientando os moradores favoráveis a reabertura da estrada para que acatem a ordem judicial. ‘‘Estamos pedindo às pessoas que tenham consciência e bom senso’’, disse Andreguetto. (Colaborou Katia Michelle, de Curitiba)

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