São Paulo, 21 (AE) - Cerca de 60 voluntários, entre ambientalistas e biólogos, fazem um mutirão amanhã (22) para limpar parte do mangue e dos animais atingidos pelo óleo que vazou da Refinaria de Duque de Caixias, na Baía de Guanabara, no RJ, na madrugada do dia 18. Os voluntários vão utilizar tecnologias de ponta na limpeza, com materiais vindos do Canadá. Também farão o acompanhamento dos animais sobreviventes, muitos desidratados e intoxicados, precisando de soro, antibióticos e outros cuidados veterinários.
"Agora é o momento da cooperação, de reunirmos quem estiver disponível para salvar os bichos, salvar o mangue, salvar a baía, numa ação emergencial", afirma o jornalista Vilmar Berna, editor do Jornal do Meio Ambiente, ganhador do Prêmio Global 500 e presidente da Coopernatureza. "Mas não podemos descuidar também de uma ação de longo prazo, que é a elaboração de um plano de contingência de acidentes ambientais na baía, e de uma reflexão sobre este vazamento, sobre o papel da sociedade, das empresas e do governo num plano de uma distribuição dos riscos de acidentes ambientais, hoje concentrados na Guanabara, uma baía fechada e frágil", acrescenta.
Berna é um dos coordenadores da limpeza voluntária, junto com ambientalistas de entidades locais e nacionais, como a Aprec, Adasa, Grude, Grupo Ecológico Harpia, Univerde, CRBio, Jovens Ambientalistas de Niterói, Apedema e Fundação SOS Mata Atlântica. Eles vão limpar um trecho de mangue e animais contaminados com 200kg de um produto chamado Sphag Sorb, doado pela empresa Ecosorb, que comercializa este absorvente industrial no Brasil. Trata-se de um líquen, que cresce na tundra canadense e tem a propriedade de absorver e encapsular hidrocarbonetos. O produto parece com pó de serra e tem capacidade de absorver petróleo em quantidade equivalente a 6 vezes o seu volume, ao mesmo tempo em que repele a água do mar.
Aplicado, o produto é facilmente recolhido e disposto em aterros sanitários. Os contaminantes encapsulados - sejam eles petróleo, gasolina, solventes, tintas ou substâncias químicas orgânicas - não são liberados pelo líquen, nem sob pressão. Sofrem, antes, um processo acelerado de biodegradação, deixando de ser uma ameaça ao meio ambiente.
"Sabemos que não conseguiremos limpar uma área muito grande, mas queremos demonstrar a eficiência de tecnologias mais avançadas do que as utilizadas pela Petrobras", disse Mário Mantovani, da Fundação SOS Mata Atlântica. "Lembramos, ainda, que não basta limpar a área e salvar os animais, sem acompanhar a quarentena que deverá se seguir, sem saber o que fazer com os animais salvos, que terão de ser reintroduzidos na natureza e que, sem um plano de contingência, estarão novamente sujeitos a acidentes como este", diz Vilmar Berna. Ele lembra outros vazamentos da mesma refinaria e a existência de outras fontes, só na Baía de Guanabara, identificadas por um estudo da Coopernatureza como potenciais de acidentes ambientais graves.

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