São Paulo, 22 (AE) - O acordo entre a Solvay do Brasil com o Ministério Público, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), e a Greenpeace foi comemorado pelas ambientalistas como um grande presente, após um ano de campanha, desde a primeira denúncia, feita em dezembro de 1998, após a análise da água do Rio Grande antes e depois da descarga da Solvay. "O Greenpeace está contente em poder oferecer à população de São Paulo, às vésperas do ano 2000, a perspectiva de descontaminação da área", declarou Délcio Rodrigues, coordenador de campanhas da entidade. "Este acordo mostra que, quando é dado à população o direito à informação sobre a contaminação produzida pela indústria, a história pode mudar para melhor".
O depósito propriamente dito foi descoberto em março último, após uma série de investigações. A primeira investigação foi solicitada pela União Europeía, que detectou a presença de dioxina no leite produzido na Alemanha. Em março de 1998, os alemães concluíram que a dioxina vinha da ração animal, feita à base de polpa cítrica e importada do Brasil. Toda a importação da ração, chamada de CPP (Citric Pulp Pellets) foi suspensa. O Greenpeace prosseguiu nas investigações e concluiu ser a Solvay, uma multinacional de origem belga, a indústria petroquímica responsável pela produção da cal com dioxina. E descobriu, em março de 1999, um depósito com estoques de 1 milhão de toneladas de cal contaminada. Desde então, vem mantendo uma campanha de esclarecimento à população e em prol da resolução do problema.
"Tudo isso se faz sem prejuízo do inquérito policial em andamento, que deverá apurar as responsabilidades pela comercialização desta cal contaminada no Brasil, porque só as exportações na ração animal é que foram investigadas até agora"
acrescenta Marcelo Furtado, do Greenpeace. "Quem comprou e como foi usada esta cal no Brasil ninguém sabe".

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