Ambientalistas cobram investigação da Bayer
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 23 de maio de 2001
Rodrigo Morais Agência Estado Do Rio 
A poluição do solo e da Baía de Guanabara por óleo ascarel, incinerado em uma fábrica da Bayer, rendeu ontem um presente inusitado ao secretário estadual de Meio Ambiente do RJ, André Correa. Ele recebeu uma aspirina gigante de ambientalistas do Greenpeace. Os ecologistas estiveram no Palácio Guanabara para cobrar da Fundação Estadual de Engenharia e Meio Ambiente (Feema) a entrega ao Ministério Público do Estado (MPE) de documentos solicitados em fevereiro. Em janeiro, depois de um protesto na fábrica, em Belfort Roxo, Baixada Fluminense, o MP instaurou inquérito para apurar as denúncias.
Correa aceitou o presente, recebeu os ambientalistas e negou que o governo esteja omitindo dados para a investigação. Vamos apurar e ver por que os documentos não chegaram ao Ministério Público. Não há interesse do governo em transigir com o que é incorreto. Se for necessário, não tenham dúvidas, eu vou lá e interdito a Bayer. Diante dos ambientalistas, o secretário ordenou ao presidente da Feema, Axel Grael, que reunisse os documentos solicitados e os entregasse ainda hoje ao MP. O material já esteve disponível e vai estar sempre que precisarem. Vamos enviar novamente, garantiu Grael.
Esta versão, porém, é contestada pelos ambientalistas e pelo Ministério Público. Até agora, não recebemos nada. Requisitamos os dados em fevereiro, reiteramos o pedido em março e depois em abril, disse a procuradora Cláudia Cristina Nogueira.
Um dos documentos em poder da Feema, produzido pela Bayer, confirma a denúncia do Greenpeace. Temos informações do próprio sistema de autocontrole da Bayer admitindo que em novembro, dezembro, janeiro e fevereiro sua estação de tratamento de despejos industriais operou fora dos padrões, confirmou Grael, acrescentando que a Feema multou a empresa.
A legislação ambiental obriga as empresas que usam o ascarel - um poluente orgânico persistente (POP) - a destruir a substância, mas não determina o modo como isso deve ser feito. O Greenpeace sustenta que a incineração não é eficaz. Um dos aspectos mais traiçoeiros da incineração são os produtos químicos totalmente novos e altamente tóxicos que podem ser formados durante o processo de combustão, afirma um relatório da organização. Grael responde ao argumento dizendo que a incineração é legal e ainda é a melhor tecnologia disponível.


