Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reagiu com irritação ontem às cobranças de ambientalistas na abertura da Conferência Nacional de Meio Ambiente. Eles exigiam do governo providências contra a desfiguração do projeto de Biossegurança no Congresso o texto vai definir a política de produção, comercialização e pesquisa de transgênicos. ''Não tem forma mais autoritária de comportamento do que uma pessoa tentar fazer com que os seus interesses prevaleçam sobre os interesses da maioria do povo brasileiro'', disse o presidente, exaltado.
''Eu perdi três eleições, ganhei a quarta. Sei de cada compromisso que eu tenho com este País, sei dos compromissos que tinha o nosso companheiro Chico Mendes. E neste governo, nem direita e nem esquerda fará acontecer nada sem que haja um debate democrático, em que a vontade da maioria prevaleça''.
Lula estava lendo o discurso preparado para o evento, ressaltando que ''a resposta para a pobreza não é o vale-tudo ambiental''. Falava do projeto de Biossegurança e da preservação da Mata Atlântica, quando surgiram faixas e apitos na platéia. Uma delas, erguida bem próxima ao presidente por um manifestante com nariz de palhaço, dizia: ''O projeto de biossegurança está sendo destruído no Congresso. O governo não vai fazer nada?''
Imediatamente abandonou o texto e mudou o tom de voz. ''Eu nasci na política, na adversidade. Aprendi a fazer política na confrontação e vou exercer o governo desse jeito. Se eu tivesse medo de grito, eu acho que nem teria nascido.''
Rodrigo Faria, 30 anos, do Vale do Jequetinhonha, que usava o nariz de palhaço, ''estranhou'' a reação do presidente e disse que não pretendia ofender ninguém. Porém, críticou o fato de o governo Lula decidir a questão dos transgênicos na ''cúpula'' do poder em vez fazer uma campanha popular.
Ao contrário do que tem feito nas últimas cerimônias, quando ''afaga'' ministros presentes, Lula evitou elogios à ministra do Meio Ambiente, Marina Silva. Em vez disso, fez cobranças. ''A companheira Marina e a sua equipe vão ter de sentar-se com os outros ministros, com o governador, com os trabalhadores, com os empresários, e nós vamos encontrar a solução adequada para que a gente faça, pelo menos uma vez na vida, as coisas corretas e bem-feitas neste País'', disse Lula, no discurso.

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