Ambientalista não
vê influência do
El Ni¤o no incêndio
Agência Folha
O ambientalista José Lutzenberger disse ontem, em Porto Alegre (RS), que a principal causa do incêndio em Roraima é a devastação da floresta amazônica no Pará, e não o fenômeno El Ni¤o. Segundo Lutzenberger - secretário do Meio Ambiente no governo Collor -, a floresta amazônica ‘‘faz seu próprio clima e lá existe um fenômeno chamado de evapotranspiração, a soma da evaporação e da transpiração.’ Ele declarou que no ‘‘coração da floresta tropical úmida , onde a vegetação é densa, 20% da chuva não chega ao chão, ficando na copa das árvores, para depois evaporar e formar nuvens.’
Do volume de água que chega ao chão (75%), dois terços (50%) voltam para cima pela transpiração das plantas, formando mais nuvens para novas chuvas em outros lugares.
Nas áreas devastadas no Pará, onde foram derrubadas árvores de 40 metros de altura, não está ocorrendo a ‘‘evapotranspiração . A água da chuva cai sobre o solo nu e quente. Boa parte da água da chuva corre para os rios. A pequena formação de nuvens, carregada por ventos quentes, faz com que não chova ou chova menos a oeste, onde se localiza Roraima. ‘‘A floresta de pé tornou-se combustível, o que não ocorria antes’’, disse Lutzenberger, referindo-se ao megaincêndio em Roraima.
‘‘Antes, a floresta, úmida, verde, não queimava. Agora, um pequeno fogo na roça de um colono provoca um incêndio desse porte, porque a região fica sem chuva dois, três meses.’ Lutzenberger disse que não é aceitável atribuir a seca ao El Ni¤o - o aquecimento das águas no oceano Pacífico. ‘‘Virou moda culpar o El Ni¤o por tudo.’ Para Lutzenberger, o El Ni¤o pode ter contribuído secundariamente para a pouca chuva na região amazônica.
Engenheiro agrônomo e precursor do movimento ambientalista no Rio Grande do Sul, Lutzenberger disse que o governo federal ‘‘nunca deu bola para as queimadas e a devastação na Amazônia.’ O ex-secretário do Meio Ambiente, que atualmente presta assessoria para o governo do Amazonas, disse que a devastação total da floresta amazônica já atinge 500 mil quilômetros quadrados.

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