O diretor do Parque Nacional Rapa Nui, localizado na Ilha de Páscoa (Chile), acompanhou os trabalhos do Primeiro Workshop sobre Gestão Integrada de Sítios do Patrimônio Mundial Natural no Brasil e América do Sul, sediado em Foz do Iguaçu, e elogiou as propostas de integração apresentadas no encontro e a ‘‘administração ampla’’ do Brasil sobre suas reservas.
Para o arqueólogo Marcos Rauch, 34 anos, nove deles dedicado aos 3,7 mil quilômetros quadrados do parque, a atuação do governo brasileiro em questões ecológicas é mais abrangente que a das autoridades chilenas. Para manter os sítios ecológicos na costa do Pacífico, existe apenas a Corporação Nacional Florestal, órgão similar ao Ibama. ‘‘A Conaf faz parte do Ministério da Agricultura. Aqui no Brasil, existem várias entidades regionais e um órgão que atua especificamente na proteção dos patrimônios naturais e culturais’’, comentou Rauch, referindo-se ao Ministério do Meio Ambiente.
Durante a visita realizada ao Parque do Iguaçu, onde conheceu tanto o lado brasileiro quanto o argentino, o arqueólogo pôde conferir detalhes do Projeto de Revitalização. Em Foz do Iguaçu, as obras são financiadas pela iniciativa privada e estão orçadas em R$ 30 milhões. ‘‘A privatização do setor operacional das reservas é uma tendência mundial. Muitas de nossas 92 áreas protegidas são mantidas por empresas particulares’’, comentou o chileno, citando alguns sítios privatizados há quase 50 anos, onde se encontram hotéis e até cassinos.
O maior problema encontrado pelos ambientalistas do Chile, segundo Rauch, é a falta de um desempenho maior por parte do Estado. ‘‘Apesar de sermos o país latino que mais protege suas reservas, faltam ações políticas práticas para garantir novos investimentos na manutenção dos parques, principalmente em nossos 8 mil sítios arqueológicos.’’
Atualmente, 19% do território chileno é considerado área protegida, enquanto no Brasil este índice não chega a 1,5%. O workshop, realizado em Foz desde segunda-feira, foi encerrado anteontem e contou com a participação de 50 técnicos do Mercosul, além de representantes da Unesco. Eles se reuníram para desenvolver um plano base que será seguido pelos mantenedores dos sítios naturais da ONU.