AmBev se compromete a manter postos de trabalho na distribuição
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 10 (AE) - A AmBev assumiu hoje um novo compromisso público com o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade): uma vez autorizada a fusão da Brahma com a Antarctica, vai manter "para sempre" as três redes de distribuição (dos produtos Antarctica, Brahma e Skol) independentes, o que garantiria o grosso dos empregos no setor - são 50 mil na distribuição, mais de três vezes o número postos de trabalho na produção, que somam 16.500 em todas as fábricas.
O compromisso inclui ainda a já prometida redução de preços das cervejas em 5%, acrescida de um detalhe sobre critérios futuros de correção. Também "para sempre", a empresa se compromete a reajustar os valores de fábrica em índice abaixo da inflação, para que não seja acusada hoje de pretender recompor o preço depois de aprovada a união das empresas. A declaração foi feita pelo co-presidente da AmBev e presidente da Brahma, Marcel Telles.
Telles e o presidente da Antarctica, Victório Carlos De Marchi, deram entrevista coletiva marcada por ataques à Kaiser, que tem como acionista a Coca-Cola. Segundo eles, a criação da AmBev vai propiciar a entrada do guaraná Antarctica em 171 países, por meio de parceria já acertada com a Pepsi-Cola. Essa, de acordo com De Marchi, seria a razão dos ataques da Kaiser à fusão das empresas, porque a o guaraná poderia roubar, pelos cálculos da AmBev e da Pepsi, uma fatia considerável do mercado da Coca-Cola no mundo.
"Antes da fusão, fui procurado três vezes pelo presidente da Coca-Cola para vender a marca Guaraná Antarctica"
revelou De Marchi, para demonstrar a importância do refrigerante para a concorrência. "É a única marca com potencial de internacionalização, de competir com a Coca-Cola no mundo." Acusado pelo presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho, de se valer do recente sentimento nacionalista que tomou conta da política brasileira, Marcel Telles, da Brahma, disse que é a favor da globalização, mas de mão dupla. Ele lembrou que o Brasil precisa ter a chance de também atuar no mercado global, com um grande grupo como a AmBev, que será a quinta maior empresa de bebidas do mundo e a terceira maior cervejaria.
Para ele, isso propiciará aquisições da empresa brasileira no exterior, do mesmo modo que os estrangeiros hoje compram as empresas brasileiras - os estrangeiros participaram de 71% das aquisições no Brasil em 1998, de acordo com dados do Senado.
Em relação aos empregos que poderiam ser perdidos na produção, com o esperado fechamento de cinco pequenas fábricas no Brasil, Marcel Telles afirmou que nunca houve um número definido. Isso, segundo ele, dependeria em primeiro lugar do comportamento do mercado neste e nos próximos anos. "Se o PIB crescer 4% ou 5%, como se espera daqui para frente, o mercado de cerveja crescerá pelo menos 6% ao ano e o de refrigerantes 10%". Essa relação proporcional entre crescimento do PIB e do mercado tem se mantido nos últimos anos, conforme disse o executivo.


