Ambev fecha acordo com sindicatos para evitar demissões
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domingo, 17 de outubro de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 18 (AE) - Antarctica, Brahma e sindicatos entraram em acordo hoje e vão negociar em conjunto qualquer medida que inclua demissões, fechamento de fábricas da Ambev ou decisões que afetem os trabalhadores das duas cervejarias. O acordo, que vai vigorar quando for oficializada a fusão das companhias, foi decidido durante reunião com o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e com representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústrias da Alimentação (Contac) e da Confederação Nacional dos Trabalhadores das Indústrias de Bebidas (Conatibe). Participaram da reunião os presidentes dos Conselhos de Administração de Brahma e Antarctica, Marcel Telles e Victorio Carlos de Marchi, respectivamente.
Com esse acordo, os sindicatos vão formar uma comissão para acompanhar a evolução da fusão das duas empresas. Antarctica e Brahma, por sua vez, se comprometeram a não tomar nenhuma decisão sem antes negociar com essa comissão. As duas cervejarias operam com 17 mil trabalhadores e têm 50 unidades fabris em todo o País. Foi a garantia que a CUT conseguiu para evitar que a criação da Ambev resultasse em um volume elevado de demissões.
Segundo Marcel Telles, se a economia brasileira crescer em torno de 5% no próximo ano e mantiver esse ritmo, em 2001 a Ambev terá que construir novas fábricas. Para ele, essas novas unidades não significariam necessariamente a contratação de mais funcionários, mas seriam uma garantia mínima de que os atuais trabalhadores pelo menos manteriam seus empregos.
Telles disse também que um dos objetivos principais da Ambev é aumentar a sua produtividade e ampliar suas exportações. "Acreditamos que o Guaraná Antarctica e a Pepsi têm um grande potencial para combater o domínio da Coca-Cola", afirmou. Para Victorio Carlos de Marchi, esse crescimento nos mercados externos se dará através de joint-ventures ou pela construção de fábricas próprias. A prioridade, por enquanto, é o mercado da América Latina. Hoje as exportações respondem por 5% do faturamento da Ambev, e a meta é de se chegar a 15% nos próximos cinco anos.
Telles afirmou também que os preços das cervejas não vão subir se for concluída a fusão entre Brahma e Antarctica, como chegou a afirmar há algumas semanas o presidente da Kaiser, Humberto Pandolpho. "Vamos aprimorar a nossa eficiência com essa fusão e isso terá um impacto positivo para o consumidor final", disse. Para ele, a teoria de que os preços vão subir é uma artimanha da Coca-Cola que, segundo Telles, estaria usando a sua subordinada Kaiser para fazer essa campanha, mostrando um visível medo de perder mercado no segmento de refrigerantes. "Se os nossos preços fossem subir, eles não estariam preocupados" afirmou.


