Ambev fecha acordo com a Pepsi para distribuir guaraná em 200 países
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 20 (AE) - A Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) e a PepsiCo. anunciaram hoje o fechamento de um acordo para engarrafamento, venda e distribuição do guaraná Antarctica em quase 200 países. Mas para a parceria entrar efetivamente em funcionamento, é necessário que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprove a fusão entre a Brahma e a Antarctica, anunciada em julho e a partir da qual foi criada a AmBev.
A expectativa das empresas é de conquistar no período de cinco a dez anos 1% do mercado mundial de refrigerantes, mercado que movimenta anualmente US$ 70 bilhões. Os presidentes das duas empresas estiveram hoje com o presidente Fernando Henrique Cardoso numa audiência que durou cerca de 30 minutos.
O co-presidente da AmBev Marcel Telles disse que a empresa não está admitindo a possibilidade de reprovação da fusão pelo Cade. Ele afirmou acreditar que o órgão responsável no Brasil pela análise das operações empresariais julgue o caso até o final do ano e disse ter esperança de que o guaraná possa começar a ser vendido no mês de maio no exterior.
O problema é que até hoje a Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae) não tinha emitido seu parecer sobre a fusão entre a Antarctica e a Brahma. Depois desse órgão do Ministério da Fazenda será a vez de a Secretaria de Direito Econômico analisar a operação para redigir outro parecer. Só depois disso que o Cade julgará o caso.
Telles admitiu que a operação torna clara a intenção de que a fusão entre a Antarctica e a Brahma teve como objetivo principal o mercado internacional. A principal concorrente da AmBev no segmento nacional de cervejas, a Kaiser, afirma que a operação objetiva o domínio do mercado brasileiro do produto.
O co-presidente da AmBev disse que, como a operação tem influência apenas no exterior, os advogados da empresa estão estudando se submetem o contrato à apreciação dos órgãos de defesa econômica dos países onde o guaraná será vendido, como Estados Unidos. Telles disse que a nova operação foi comunicada informalmente hoje ao Cade. A empresa acredita que o acordo cria uma expectativa de emprego. O guaraná será extraído na região amazônica, o extrato será exportado para as unidades de produção da Pepsi e a AmBev assumiu o compromisso de respeitar a biodiversidade das fazendas produtoras.


