AmBev é acusada de querer controlar distribuição de bebidas
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terça-feira, 28 de setembro de 1999
Por Mariângela Gallucci 
Brasília, 29 (AE) - Distribuidores de bebidas produzidas pela Companhia de Bebidas das Américas (AmBev) denunciaram hoje que a empresa formada a partir da fusão entre Antarctica e Brahma pretende dominar a distribuição de suas bebidas. A denúncia foi discutida na audiência pública promovida ontem pela Comissão de Defesa do Consumidor da Câmara dos Deputados.
Advogado de seis distribuidores do interior paulista, Rui Camelo Júnior disse que a AmBev adota preços menores quando negocia com distribuidores próprios. Ele afirmou que alguns de seus clientes tiveram de recorrer à Justiça para garantir o fornecimento das bebidas, já que a empresa teria se recusado a contratar seus serviços.
Cade - A denúncia foi encaminhada hoje ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e deve integrar o processo no qual a autarquia decidirá se aprova ou não a fusão entre as empresas.
Durante a audiência pública, o secretário de Acompanhamento Econômico, Cláudio Considera, disse que pretende encaminhar ao Cade em 20 dias o parecer do órgão sobre a operação. Ele afirmou que uma das medidas que podem ser propostas para amenizar os efeitos negativos da fusão é determinar à empresa que venda as fábricas que pretende fechar. Com isso, os empregos seriam garantidos.
Considera descartou a hipótese de fortalecimento das importações como forma de desconcentrar o mercado. Ele argumentou que as cervejas importadas representam apenas 1% do mercado brasileiro. Segundo o secretário, essa tendência de baixa taxa de importação no mercado de bebidas é mundial.
Novas fábricas - O integrante do Conselho de Administração da AmBev, Danilo Palmer, informou durante a audiência pública que, com as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) entre 3% e 4%, a companhia deverá iniciar a construção de novas fábricas a partir de 2001.
O dirigente da AmBev queixou-se do comportamento da Kaiser, que recentemente publicou nos jornais de grande circulação do País anúncios atacando a fusão entre suas concorrentes. "Não entendemos como os mencionados concorrentes se utilizam de uma barragem espúria, inverídica e apócrifa, que traduz o esforço absurdo de impedir que no Brasil do novo século possa existir, no setor de bebidas, uma grande multinacional brasileira", afirmou o executivo.


