Curitiba- Você tem idéia do que é ''cártula chéquica''? A expressão nada mais é do que uma simples folha de talão de cheque, que ganha esse estranho significado no linguajar dos advogados. E ''ergástulo público'', sabe o que é? Trata-se de mais uma pérola do juridiquês, que significa apenas a palavra cadeia. Na tentativa de reduzir esse rebuscado desnecessário usado por advogados e juízes, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) lançou, ontem em Curitiba, a Campanha pela Simplificação da Linguagem Jurídica o chamado Juridiquês.
''A campanha não visa vulgarizar a linguagem jurídica nem abandonar a linguagem técnica, que é imprescindível. Mas existe um excesso que pode ser retirado sem prejuízo algum para o Direito'', esclarece o presidente da AMB, Rodrigo Collaço, que participou do lançamento da campanha em Curitiba.
Para a AMB, entidade que reúne cerca de 15 mil juízes em todo País, o cidadão é a parte mais prejudicada com esse tipo de linguajar, já que é comum os clientes não entenderem o que os profissionais de Direito escrevem nos documentos. ''Quando o cidadão vai em uma audiência, no final ele pergunta ao advogado: nós ganhamos ou perdemos? Ele não compreendeu nada'', constata.
A campanha terá três frentes de ação, sendo a atuação com estudantes de Direito uma das prioridades. A AMB acredita que o uso da linguagem tradicional dos advogados começa a ser aprendida na faculdade. Lançada dia 11 de agosto no Rio de Janeiro, a campanha já passou por São Paulo, Brasília, Minas Gerais e, agora, chega ao Paraná.
Em todos os locais, o lançamento foi feito em universidades, com a participação do professor Pascoale Cipro Neto, especialista em Língua Portuguesa. Nas palestras, Cipro Neto destaca a importância de um linguajar preciso e tecnicamente correto. O professor ressalta que palavras rebuscadas atrapalham a compreensão de um texto. ''Temos de ter humildade. No lugar dessa verborragia, o profissional tem de entender que sua mensagem deve ser clara, ter nexo, sem nunca dar margem à ambiguidade. A beleza está na simplicidade'', defende o professor.
Como parte da campanha, estudantes e profissionais estão sendo chamados a participar de um concurso com as melhores idéias e sugestões sobre como melhorar o linguajar jurídico. A AMB também lança, em outubro, um livro dirigido a jornalistas, com explicações e traduções dos termos jurídicos. A primeira contribuição dos estudantes ocorreu em Curitiba. Um estudante se propôs a traduzir contratos de adesão aqueles redigidos em letras minúsculas e com linguajar difícil, como, por exemplo, contrato de compra de telefone, empréstimo em banco, entre outros.

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