Amazônia será excluída da reforma agrária
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quinta-feira, 12 de março de 1998
Agência Folha 
O governo lançará na próxima quarta-feira pacote ecológico da reforma agrária para excluir áreas de florestas na Amazônia do programa de assentamento de sem-terra. O ministro Raul Jungmann (Política Fundiária) anunciou ontem o pacote após prestar solidariedade inédita a um parlamentar petista - o deputado Gilney Viana (PT-MT), alvo de críticas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) por ter elaborado relatório que aponta a reforma agrária como principal responsável pelo desmatamento na região.
Segundo Jungmann, o deputado contribuiu para o pacote ecológico ao apontar que os sem-terra estão promovendo desmatamentos nas florestas dos projetos de assentamento. O deputado chamou a atenção para o fato de que não é preciso fazer assentamentos em áreas de florestas, já que existe grande quantidade de terras devastadas na região, disse Jungmann. O ministro assumiu a defesa do deputado contra as críticas do MST: Eu me solidarizo com o deputado porque ele está sendo alvo da aliança do atraso - a ganância dos madeireiros e a inconsciência do MST.
Na avaliação do ministro, o deputado errou ao superestimar a contribuição da reforma ao desmatamento regional. Na próxima semana, ele divulgará dados sobre os danos causados ao meio ambiente amazônico pelos sem-terra. O MST afirmou que não promove desmatamentos nas áreas de preservação permanente, como as florestas.
Após receber a solidariedade do ministro, Viana disse que discutirá a questão ecológica da reforma agrária na reunião do diretório nacional do partido, em São Paulo. As entidades sociais, como o MST, e o próprio PT ainda não introjetaram todos os valores ambientais, afirmou o deputado. A grande culpa é do governo, acrescentou.
Para ele, as entidades ligadas à luta pela reforma agrária deram publicidade a seu relatório por terem pedido no último dia 10 que ele excluísse o capítulo sobre a reforma agrária. Não mudarei minha posição, disse Viana.
Lei ambiental - Os produtores agrícolas e empresas do agribusiness do País querem mais prazo para discutir a aplicação da Lei Ambiental, aprovada pelo Congresso. Ontem, representantes do agribusiness se reuniram na Sociedade Rural Brasileira (SRB) e prepararam um documento com os principais pontos da consolidação da lei que são considerados prejudiciais ao setor rural.
De acordo com o mediador do debate, Roberto Rodrigues, o objetivo da reunião era discutir este conjunto de observações. Por isso, foi convidado para participar da discussão, o deputado federal Bonifácio de Andrada (PSDB-MG), coordenador do Grupo de Trabalho para Consolidação da Legislação Brasileira.


