Campinas, SP, 11 (AE) - Ambientalistas criticaram hoje o crescimento de 31,4% nos desmatamentos da Amazônia e afirmaram que a região precisa de novas políticas. "Houve um crescimento brutal do desmatamento entre 97 e 98, da ordem de 31,4%, e o governo quer passar para a sociedade uma imagem de estabilização com tendência de queda", acusa João Paulo Capobianco, do Instituto Socioambiental, ISA.
Para ele, o governo evitou fazer a comparação entre os dados reais de 1998 (17.380 quilômetros quadrados , divulgados hoje, e os dados reais de 1997 (13.227 quilômetros quadrados), divulgados há um ano, limitando-se a comparar os dados de 1998 com as projeções de 1999 (16.838 quilômetros qudrados). As projeções se baseiam na análise de uma parte das imagens.
"A nova taxa de desmatamento na Amazônia brasileira divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente comprova que as medidas adotadas pelo governo para conter a destruição das florestas foram insuficientes", diz uma nota do Fundo Mundial para a Natureza, WWF. "Somente uma política florestal integrada permitirá a diminuição dos atuais índices e a reversão dessa tendência, que ameaça a vida e a economia do País". A entidade ambientalista propõe a criação e implementação de novas áreas protegidas (as áreas protegidas existentes equivalem a 3% da Amazônia); a aprovação da lei que modifica o Código Florestal conforme o texto encaminhado pelo Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama) e a adoção de uma política de fomento ao manejo sustentável das florestas, inclusive certificando as florestas nacionais, que hoje não são exploradas.
"Os dados de 1999 apontam para uma mudança muito pequena em relação aos de 1998, demonstrando que a ação governamental tem efeito limitado sobre as dinâmicas econômicas", disse Roberto Smeraldi, da entidade ambientalista Amigos da Terra. Ele esteve reunido hoje, em São Paulo, com empresários do setor moveleiro, de papel e celulose e ambientalistas das maiores organizações não-governamentais (ONGs) presentes no país, para lançar o Grupo de Compradores de Madeira Certificada.
Madeira certificada - Segundo Smeraldi, o desenvolvimento de instrumentos de mercado pode influenciar a tomada de decisão de quem desmata, daí a iniciativa de reunir empresários dispostos a assumir compromissos ambientais. A idéia é criar, com o grupo de compradores, um nicho de mercado para a madeira extraída de forma racional, com maior índice de preservação da mata do entorno e de matrizes e com menos desperdício nas serrarias.
As madeireiras buscam a certificação em organismos independentes, como o Forest Stewardship Council, FSC, obtendo um preço melhor pela madeira. Os compradores pagam mais, mas podem usar a certificação no seu marketing verde, para melhorar ou manter a boa imagem entre os consumidores finais. Grupos de compradores semelhantes existem em outros 12 países, todos desenvolvidos. No Brasil, 40 empresas vêm participando das negociações.

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