Amazônia já perdeu 15% das florestas
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quinta-feira, 11 de fevereiro de 1999
Liana John Agência Estado 
O ritmo do desmatamento na Amazônia voltou a aumentar entre 1997 e 1998, de acordo com os dados divulgados ontem, no Instituto Nacional de Pesquisas Espacias, INPE, em São José dos Campos, SP. O total desmatado em 97 foi de 13.227 quilômetros quadrados e as projeções de 1998 indicam um total de 16.838 quilômetros quadrados, um aumento de 27%.
O total de desmatamentos na região até agosto de 1997 é de 532.086 quilômetros quadrados . A se confirmar a projeção de 1998, a perda é equivalente a um estado da Bahia inteiro. A Amazônia já perdeu cerca de 15% de suas florestas.
As características do desmatamento mudaram quanto ao tamanho das áreas contínuas derrubadas. Em 1995 e 1996, quando foram desmatados, 29.059 e 18.161 quilômetros quadrados, os desmatamentos mais representativos aconteceram em pequenas áreas (inferiores a 50 hectares). Os projetos de colonização e os assentamentos de reforma agrária foram os grandes vilões da destruição. Em 1997 e 1998 cresceram as médias e grandes derrubadas, sobretudo de áreas contínuas com 200 a 500 hectares e acima de 1000 hectares.
A disponibilidade de dinheiro para investimento em novas áreas agropecuárias e as atividades madeireiras podem explicar parte deste aumento nas derrubadas médias e grandes. Os tipos de vegetação mais prejudicados nos desmatamentos de áreas médias e grandes foram a floresta ombrófila densa, a floresta estacional e o cerradão. Todos são tipos de vegetação onde predomina a atividade madeireira como frente de abertura de novas áreas agropecuárias e principal fator de avanço sobre a floresta.
Apesar da relativa redução em importância, os desmatamentos de pequenas áreas (inferiores a 50 hectares) preocupa, por ter se dado sobretudo nas zonas de contato e na floresta aberta. As zonas de contato caracterizam-se pela alta biodiversidade e a presença, ainda que pulverizada, de novas frentes de colonização pode ter impactos sérios sobre a fauna. Os pequenos produtores, se não capitalizados, em geral dependem da caça para garantir sua sobrevivência em áreas de fronteira econômica.
O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, admitiu ontem que o governo não sabe exatamente as causas dos desmatamentos no País. Segundo ele, isso ficará claro somente depois que for concluído, em oito meses, um estudo financiado pelo Banco Mundial. Não sabemos ao certo por que isso vem acontecendo, disse o ministro, referindo-se aos desmatamentos.
Sarney Filho anunciou que o governo pretende aumentar a fiscalização, principalmente na Amazônia, para tentar reduzir os índices de desmatamento.


