Porto Alegre, 04 (AE) - O porta-voz da Presidência da República, embaixador Sérgio Amaral, reafirmou hoje que a União "não tem condições" de reabrir as negociações das dívidas dos Estados, sem que "todo o esforço fiscal vá pelo ralo". Segundo ele, o governo federal concedeu um "subsídio" de R$ 20 bilhões aos Estados, quando absorveu R$ 82 bilhões, em valores atualizados, de débitos estaduais e o não-pagamento desses compromissos traria um prejuízo superior a todo o benefício obtido com aumento da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), da Cofins e da contribuição dos inativos nos próximos três anos.
Amaral afirmou, porém, que o governo federal está "pronto para o diálogo", mas adiantou que uma "conversa concreta" deverá ser "separada e técnica" com cada governador.
"A situação de cada Estado é diferente; o que é bom para um pode não ser bom para outro", ressaltou. Para o porta-voz, que falou em almoço da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs), com a economia "baseada na confiança", os Estados que não honrarem os contratos serão os maiores prejudicados porque perderão investimentos.
O embaixador negou que a comunicação do Ministério da Fazenda aos bancos internacionais sobre a "inadimplência" do Rio Grande do Sul e Minas Gerais tenha sido uma "retaliação" da União.
"O governo quer ajudar", reiterou. O porta-voz garantiu que o governo federal irá "ver todos os espaços possíveis" para chegar a um entendimento com os governadores.
Ele citou a possibilidade de revisão da Lei Kandir e de antecipação de receitas de privatização como algumas das alternativas. Da Fiergs, Amaral foi ao Palácio Piratini para uma audiência com o governador Olívio Dutra (PT).

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