Curitiba- Para o presidente da Associação dos Magistrados do Paraná (Amapar), Gilberto Ferreira, a demora do processo de julgamento de processos tem relação com a falta de investimentos no setor judiciário. ''Precisamos investir em assessores para os juízes que têm custos mais baratos para a sociedade, secretários, investir em equipamentos de informática e em cursos de reciclagem. Não adianta fazer um diagnóstico apontando causas regionais. Temos que mostrar soluções particularizadas. Isso não foi feito no estudo do Ministério da Justiça'', informou Ferreira.
Outra reclamação dos juristas paranaenses é com o número de instâncias, que acaba burocratizando a tramitação dos processos. ''O número elevado de instâncias com certeza é uma das causas do retardamento dos processos'', informou ele. Um dos pontos que poderiam ser tratados na reforma judiciária, segundo Ferreira, é a extinção de recursos como agravos de instrumento. Estes recursos apenas estariam fazendo com que os processos ficassem por vários meses parados entre a 1 e a 2 instâncias.
A conscientização dos governos é reivindicada pela Amapar. Segundo Gilberto Ferreira, a União é uma das maiores ''demandistas'' de processos judiciais. ''São tomadas decisões que contrariam o interesse da União, questionáveis juridicamente e que acabam emperrando as pautas de votações. Exemplo disso é a criação de novos impostos e alíquotas. São sempre questionáveis. Os governos precisam ter mais consciência e não tomar atitudes precipitadas, sem embasamentos jurídicos contundentes'', acrescentou.(L.P.)

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