Amália Rodrigues tem funeral de chefe de Estado
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quinta-feira, 07 de outubro de 1999
Por Jair Rattner, especial para a AE (assinatura obrigatória) 
Lisboa, 08 (AE) - Até na morte, a cantora portuguesa Amália Rodrigues foi acompanhada pelo fado. O serviço fúnebre que antecedeu seu enterro, realizado hoje (08) na Basílica da Estrela, em Lisboa, teve o som de 8 guitarras portuguesas e terminou com o fado O Grito, atendendo a um desejo da própria Amália. O fado tem o refrão: "Ai Deus/Vida que tanto dura/Morte que tanto tarda/Ai como dói:/a solidão quase loucura".
O cortejo fúnebre que percorreu o caminho entre a basílica e o Cemitério dos Prazeres, uma distância de quase dois quilômetros, parou a capital portuguesa. Cerca de 50.000 pessoas acompanharam o caixão da cantora, que morreu esta quarta-feira, aos 79 anos.
Foi uma cerimônia com honras de Estado, com a presença do presidente, primeiro-ministro e todos os líderes da oposição - que pararam a campanha para as eleições legislativas de domingo para participar do funeral. Em luto por Amália, desde quarta-feira não há shows antes dos comícios políticos em Portugal.
Na frente do cortejo, ao lado do bispo auxiliar de Lisboa, estava o fadista frei Hermano da Câmara, um cantor que largou tudo para entrar para o convento. "Sinto como se fosse uma pessoa da família. Estou triste, mas ao mesmo tempo contente, porque sei que ela já está no céu. Ela era uma pessoa boa".
Ao longo do cortejo, as pessoas acenavam com lenços brancos, aplaudiam e cantavam fados de Amália. Uma hora depois de terminado o enterro, havia milhares de pessoas na porta do cemitério que ainda acenavam com lenços brancos e cantavam os fados mais conhecidos de Amália.
Segundo o fadista João Braga, amigo pessoal da cantora, Amália tinha uma grande tristeza: "Desde que se convenceu que tinha de deixar de cantar, todos os dias ela morria um pouquinho. Ela gostava era de cantar".
Amália não deverá ficar no Cemitério dos Prazeres. Até o fim do ano será levada para o Mosteiro dos Jerônimos, em Lisboa, onde se encontram os restos mortais de Camões, Fernando Pessoa, Vasco da Gama e Alexandre Herculano.


