Lisboa, 07 (AE-AP) - A famosa cantora de fado Amália Rodrigues contribuiu financeiramente em segredo para o Partido Comunista português quanto este foi proibido pela ditadura de Antonio Salazar, revelaram hoje (07) membros do PC.
"Sei que ela contribuía com dinheiro e de forma muito generosa", disse o atual líder comunista, Carlos Carvalhas, acrescentando que a maior preocupação de Amália Rodrigues era a situação dos prisioneiros políticos.
Rodrigues, que morreu ontem aos 79 anos, atingiu fama mundial cantando fado, tendo seus discos vendidos em 27 países. Sua contribuição ao PC não era previamente conhecida.
Segundo a rádio portuguesa RTP, que teve acesso aos arquivos do PC, o primeiro contato da cantora com membros do partido foram feitos em 1944, quando ela viajava o mundo realizando shows. Perseguidos em casa, muitos comunistas viviam em exílio.
Após a revolução de 1974 (Revolução dos Cravos), um golpe militar de esquerda que derrubou a ditadura instalada por Antônio Salazar, Rodrigues foi acusada de ser uma partidária fervoroso do antigo regime.
Porque ela representava a essência da cultura portuguesa durante a ditadura, elementos esquerdistas viram nela uma simpatizante do estado fascista.
Para provar que ela não tinha nada contra o novo regime de esquerda que se instalava em Portugal, ela cantou e gravou uma versão de "Grândola Vila Morena" - a canção que simbolizou a Revolução.
O enterro de Amália Rodrigues está marcado para esta sexta-fera.

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