Brasília, 02 (AE) - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve manter-se estável este ano, em vez de apresentar uma retração de 1%, como havia sido projetado na última revisão do acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI). A opinião é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, que divulgou hoje o Boletim de Acompanhamento Macroeconômico do último mês de agosto. "Nós estamos muito mais próximos do crescimento zero, hoje, do que da retração de 1% do PIB", afirmou.
Essa possibilidade de não haver uma retração do PIB brasileiro, no mesmo ano da desvalorização do câmbio, foi considerada como um indicativo positivo por Amadeo em relação à recuperação da economia. Ele lembrou que em 1998 os países do sudeste asiático que desvalorizaram suas moedas registraram, em média, retração de 7,5% do PIB. O Boletim de Acompanhamento Macroeconômico divulgado por Amadeo trouxe uma análise das recuperações das exportações brasileiras após as desvalorizações registradas nos anos 1983, 87, 91 e 99. De acordo com o secretário, a análise destes períodos demonstra que sempre há uma recuperação das exportações, em um período médio de 2,5 a 3 5 trimestres após a desvalorização.
Isto significaria, para este ano, uma recuperação das exportações a partir do último trimestre do ano. Apesar de condicionar esta recuperação aos cenários internacionais, Amadeo entende que a perspectiva de recuperação é positiva. "O importante é que recuperação sempre há", afirmou.
De acordo com os dados do boletim divulgado pela Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o Brasil ainda é um país com um perfil de endividamento pequeno de sua população. Numa comparação entre a relação de crédito ao setor privado em proporção ao PIB do País, o volume de crédito contraído pela população brasileira é de apenas 28,5% do Produto Interno Bruto. Em países como os Estados Unidos, essa relação é de 71,5%, enquanto no Japão, a relação é de 116%. "As famílias e as empresas brasileiras são muito pouco motivadas a se endividarem ou alavancarem", afirmou o secretário.
Para Amadeo, três razões explicam esse baixo perfil de endividamento. Em primeiro lugar, a longa experiência brasileira de convivência com índices inflacionários altos, que inibem a oferta e demanda de crédito; em segundo, estariam os juros altos
e em terceiro uma grande disparidade entre os juros básicos da economia (taxa Selic) definidos pelo Banco Central e os juros oferecidos à população. Amadeo insistiu, no entanto, que o governo brasileiro vem tentando mudar esses três itens.
Ele lembrou que os juros básicos da economia, registrados hoje, são os mais baixos desde o início do Plano Real, em julho de 1994, além de o governo ter mantido o controle da inflação. Amadeo ressaltou que as medidas tomadas na quarta-feira pelo Banco Central, no sentido de flexibilizar o recolhimento do compulsório bancário sobre depósitos a prazo, são uma das ações possíveis para se buscar um estreitamento entre os juros básicos da economia e os juros ofertados às empresas e pessoas físicas. "A decisão tomada pelo BC caminha exatamente nessa direção: com a redução do compulsório, cerca de R$ 10 bilhões, que estavam antes segregados, passam agora a ser passíveis de empréstimo", analisou.
O secretário acredita que a taxa de desemprego do País este ano deva se igualar ou ser um pouco menor do que a apurada no ano passado. Segundo Amadeo, de janeiro a julho deste ano foram criados 208 mil postos de trabalho, enquanto que no mesmo período do ano passado haviam sido criados 54 mil. O número de desempregados foi menor. De janeiro a julho de 1998 houve um incremento de 150 mil desempregados, enquanto que no mesmo período deste ano, o número de desempregados caiu para 28 mil. "Isso me leva a crer que vamos ter uma taxa igual ou levemente menor do que no ano passado", afirmou.

mockup