Amadeo diz que nova alta do petróleo não implica novo reajuste da gasolina2/Mar, 16:59 Por Soraya de Alencar Brasília, 02 (AE) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, disse hoje que a alta do petróleo verificada nos últimos dias não significa necessariamente um novo aumento do preço dos combustíveis no mercado interno. Segundo explicou Amadeo, no cálculo do reajuste de 5% da gasolina para o consumidor e de 7% nas refinarias, o governo considerou os preços futuros do petróleo. "Já trabalhamos com preço futuro", destacou. A conta feita pelo governo considerou que, até o final do ano, a média do preço do barril de petróleo ficará em US$ 24. Ao mesmo tempo, a taxa de câmbio usada foi de R$ 1,80. O secretário destacou, entretanto, que como a taxa de câmbio tem se mantido abaixo deste patamar, pois tem ficado em torno de R$ 1,76, "o governo já tem uma folga". No caso destas projeções se confirmarem, entretanto, Amadeo confirmou que o resultado da chamada conta-petróleo (que registra a diferença dos custos de importação do petróleo e do preço dos derivados cobrados do consumidor) ficará entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões. Ou seja, abaixo dos R$ 3,5 bilhões projetados para no orçamento da União. "Dividimos o impacto do reajuste sobre a inflação e as contas fiscais", afirmou. Em outras palavras isso significa que mesmo sabendo que ocorreria uma perda de receitas na conta-petróleo, o governo preferiu não fazer um reajuste maior para não gerar grandes impactos nos índices de inflação. Nas projeções da área econômica, os índices de preços ao consumidor, tanto o IPC calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) quanto pela Fundação de Pesquisas Econômicas (Fipe), deverão ficar entre zero e 0,4% em março. De acordo com o secretário, estas projeções já consideram o reajuste de 5% nos preços da gasolina. Ele explicou que, mesmo que em um primeiro momento os postos cobrem um reajuste superior - como está acontecendo em várias capitais do País - poderá ocorrer um impacto maior sobre os índices de inflação. Em abril, no entanto, deverá haver a compensação. "Quando os postos voltarem a cobrar os 5% em função da concorrência", disse Fernando Montero, secretário-adjunto de Política Econômica. Sobre a frustração de receita na conta-petróleo, Amadeo destacou que, no ano passado, o governo enfrentou perdas maiores de receitas esperadas e mesmo assim conseguiu fechar o ano com o superávit primário de R$ 31,098 bilhões, correspondente a 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Ele destacou que desde o início de 98, quando havia o déficit equivalente a 1% do PIB, o governo fez o ajuste de 4%. "É o maior ajuste fiscal da história", disse.