Amadeo diz que governo decidirá sobre mercado futuro
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Por Adriana Fernandes, Beatriz Abreu e Renato Andrade 
Brasília, 16 (AE) - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo, afirmou hoje que o governo não vai tomar nenhuma decisão precipitada com relação à alta do preço do petróleo no mercado internacional. O secretário disse que é preciso ter "cautela e serenidade" na avaliação da volatilidade atual desse mercado.
Qualquer decisão do governo sobre pretróleo será tomada levando-se em conta a perspectiva de longo prazo dos preços no mercado internacional, afirmou. "Temos de olhar o movimento no prazo mais longo", observou. "Não podemos nos apavorar olhando o mercado spot."
A cotação do barril de petróleo no mercado futuro continua sendo o grande sinalizador de preços da commodity, segundo o secretário. "É nesse mercado que o preço projetado para o fim do ano ainda está em torno de US$ 21 o barril", disse Amadeo.
Os técnicos do Ministério da Fazenda acompanham diariamente as cotações no mercado futuro de petróleo, para poder delinear as possíveis estratégias a serem adotadas pelo governo, caso ocorra uma "contaminação" - isto é, se os preços à vista começarem a influenciar as cotações no mercado futuro.
O secretário-adjunto de Política Econômica, Fernando Montero, salientou que a exposição feita hoje pelo presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, que afirmou estar "profundamente preocupado" com os altos preços do petróleo, provoca expectativas sobre as possíves ações do governo norte-americano para conter os aumentos no mercado internacional.
Apesar da cautela, o secretário disse que o aumento do petróleo é uma preocupação do governo. "Até o presidente dos Estados Unidos está preocupado", observou. Ponderou, no entanto
que esse é um problema "bem menor" que aqueles vividos pelo Brasil no ano passado.
Amadeo disse ainda que o governo não dará prioridade somente ao controle da inflação em detrimento do ajuste fiscal, que pode ser influenciado negativamente pela continuidade da alta do petróleo. "São duas coisas interligadas, por isso a discussão dentro do governo é mais difícil, o que justifica a cautela", comentou.


