Amadeo diz que déficit de contas externas não prejudicará metas
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segunda-feira, 18 de outubro de 1999
Por Silvia Faria 
Brasília, 19 (AE) - O secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, contestou hoje a tese de que a outra ameaça clássica ao crescimento econômico, o déficit das contas externas
vá complicar as metas do País. Ele lembra que o Brasil está pagando este ano US$ 47 bilhões ao exterior. As mesmas contas vão somar US$ 25 bilhões em 2000, o que significa um alívio de US$ 22 bilhões no balanço de pagamentos.
Além desse alívio, Amadeo cita o elevado volume de investimento estrangeiro direto (US$ 24 bilhões de janeiro a 18 de outubro), que vem financiando totalmente o déficit em transações correntes este ano. Nos últimos 12 meses terminados em setembro, os investimentos superavam o déficit em US$ 2,7 bilhões, segundo dados do Banco Central. "Nesse ano, praticamente não ocorreram privatizações, que deverão ser retomadas no ano que vem", lembrou.
O secretário aposta ainda numa recuperação das exportações, que vão resultar saldos comerciais positivos "a partir do início do ano 2000", argumentando que os preços de alguns produtos, como papel e celulose, siderúrgicos, alumínio e cobre, se estão recuperando e voltando aos níveis do início de 98. Continuam em baixa, por excesso de oferta, o suco de laranja
a soja e o café.
"A balança sofreu dois efeitos negativos neste ano: a queda de preços das commodities e a restrição da demanda de manufaturados, decorrente da crise na América Latina". Tais fatores também não deverão repetir-se no próximo ano, segundo Amadeo.
A restrição do mercado externo trouxe efeitos altamente positivos para a economia doméstica, por outro lado, porque ocorreram substituições generalizadas das importações. Tal movimento, segundo ele, foi mais intenso no setor de bens de consumo e pode ser apontado como responsável pelo fato de o País não ter vivido a esperada profunda recessão.


