Amadeo diz que crise argentina não altera trajetória de juro no Brasil
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terça-feira, 25 de maio de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 26 (AE) - A crise na Argentina não alterará a trajetória de queda nas taxas de juros no Brasil, afirmou hoje o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. "Minha avaliação é de que a tendência de queda poderá ser mantida, pois trata-se de uma situação episódica que não afeta o curto, o médio e o longo prazos", comentou. Ele disse que a "tendência natural" é de que o Brasil continue a reduzir os juros, mas ressaltou que a decisão cabe ao Banco Central, mais especificamente ao Comitê de Política Monetária (Copom).
Na avaliação do secretário, a crise na Argentina é mais um entre os vários fatores que poderão influenciar o desempenho da economia brasileira neste ano. "São episódios que duram um dia, uma semana, duas semanas, e o mercado financeiro, com a integração do fluxo financeiro, passa a ser sensível a esses movimentos", comentou.
Da mesma forma, o tumulto gerado pelo vazamento de conversas do presidente Fernando Henrique Cardoso às vésperas do leilão da Telebrás não deverão afetar a tendência dos juros, segundo o secretário. "Encaro esse percalço como algo que faz parte do dia-a-dia do País", comentou.
"Acho que a economia tem uma lógica própria." Ele disse que as decisões econômicas são balizadas por outros fatores: a determinação com que o governo conduz a política econômica, a transparência das decisões governamentais e o fortalecimento das instituições. "Esses são pilares da política econômica que, aos poucos, conseguem se isolar do quadro político." O secretário também não acredita que os Estados Unidos promoverão alguma modificação forte em suas taxas de juros. "Dada a relação do mercado com o banco central local, o ajuste pode ser feito apenas com uma mudança de viés", analisou. "Não antevejo uma necessidade de descontinuidade na política monetária nos Estados Unidos." O secretário lembrou que a economia norte-americana vem surpreendendo os analistas do mundo inteiro pelo seu dinamismo.
Amadeo disse ainda que a manutenção da trajetória de redução das taxas de juros dependerá da preservação do quadro de normalidade na economia brasileira. "Depende principalmente de manter a situação na área fiscal", ressaltou. Ele informou que a redução nas despesas de custeio e investimento do governo respondeu por 74% do resultado primário obtido no primeiro trimestre deste ano. "É a estabilidade no quadro econômico que influenciará as decisões de investimento por parte das empresas, de consumo por parte das famílias e de aporte de capital", observou.
PIB - A continuidade na queda das taxas de juros brasileiras é essencial para a retomada do crescimento econômico
segundo mostram dados apresentados hoje por Amadeo no Boletim de Acompanhamento Macroeconômico. Ele acredita que a recuperação da economia brasileira poderá ser puxada pelos bens de consumo duráveis. As vendas desse tipo de produto dependem diretamente da oferta de crédito ao consumidor que, por sua vez, dependem das taxas de juros.
Mesmo com o crescimento de 1,02% do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre do ano, em comparação com os últimos três meses de 98, a taxa média anual, em comparação com a média de 98, poderá continuar negativa, segundo o secretário. Isso porque, embora o desempenho econômico tenha sido ruim no final de 98, ela foi elevada no restante do ano. A comparação com 99, portanto, ainda poderá mostrar uma variação negativa.
"O dado do primeiro trimestre mostra uma reversão na tendência de queda do PIB", disse Amadeo. Ele disse que o segundo trimestre de 99 deverá ainda mostrar uma "recuperação incipiente", sendo que um crescimento mais robusto se mostrará a partir do terceiro trimestre do ano. "Poderá haver crescimento na margem", disse o secretário. Em outras palavras, é possível que as taxas a serem registradas no final do ano mostrem crescimento com relação a igual período de 98.


