Brasília, 02 (AE) - O Brasil está muito menos vulnerável à elevação das taxas de juros dos Estados Unidos. A avaliação é do secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Edward Amadeo. O secretário acredita que há espaço hoje para a queda do risco Brasil. É essa redução que, segundo ele, tende a compensar os efeitos negativos do aumento dos juros norte-americanos na economia brasileira.
"Hoje temos uma situação internacional e doméstica de estabilidade que permite imaginar que teremos uma redução do custo Brasil", disse Amadeo. "Essa redução pode compensar em parte a elevação da taxa de juros americana", avaliou ele, lembrando que o risco Brasil já vem caindo nos últimos meses. Para o secretário, a situação da economia brasileira está hoje muito mais confortável para enfrentar o aumento dos juros nos Estados Unidos. "Se a economia estivesse numa situação crítica como há um ano, o efeito da elevação da taxa de juros seria muito maior", disse Amadeo.
Na avaliação do secretário, a elevação dos juros norte-americanos é "ruim" para o Brasil porque provoca o aumento do custo de captação da economia, mas mesmo assim os seus efeitos no fluxo de capital deverão ser menores. "As condições de financiamento do balanço de pagamentos são muito boas este ano", disse. "Temos muito menos amortizações do que no ano passado e os investimentos diretos estrangeiros têm uma tendência de manter um bom padrão", completou.
O secretário de Política Econômica afirmou que o impacto do aumento dos juros americanos deverá ser mais sentido no custo de colocação de bônus no exterior e na captação de empréstimos. Mas, segundo ele, os investimentos diretos estrangeiros e em bolsa de valores não devem sofrer grandes alterações. Em relação aos investimentos diretos estrangeiros diretos o efeito deverá ser muito pequeno. "Esse é um tipo de decisão bem diferente, que olha para médio e longo prazos, e está relacionada à decisões baseadas no crescimento do mercado brasileiro", disse.
Bolsas - Mesmo com um aumento dos juros nos Estados Unidos, Edward Amadeo espera que os investimentos em bolsas se mantenham atrativos. Isso porque, segundo ele, ainda há espaço para a elevação dos preços das ações de empresas brasileiras. "A bolsa vai se manter um investimento atrativo pelo fato de termos uma economia que está em estabilidade, com perspectiva de crescimento e com um preço das ações em dólar com possibilidade de ter ainda uma elevação importante", justificou o secretário.
O secretário de Política Econômica ressaltou ainda que a situação da economia norte-americana permite hoje que os mercados antecipem o que vai acontecer e diluam no tempo o efeito que o aumento de juros poderia causar. "Não tem risco de descontinuidade. Pode haver mudança, mas essa mudança certamente não será descontínua", ponderou. Ele enfatizou que é muito melhor que o "risco internacional" esteja numa economia, como a americana, que é capaz de gerar uma correção sem descontinuidade e onde a política econômica é extremamente eficiente, a situação fiscal está absolutamente sob controle, e há um banco central com uma credibilidade.
A situação mais confortável da economia brasileira, no entanto, ainda não traz tranquilidade. Segundo Amadeo, somente daqui a um a dois anos o Brasil conseguirá consolidar um patamar de risco ideal. Segundo ele, houve avanços, nos últimos meses, mas o País ainda está longe de se encontrar numa situação ideal. "Para isso, nós precisamos perseverar para estarmos numa situação em que cada vez mais a economia fique menos vunerável à situação externa", avaliou."Nós precisamos ainda de um ou dois anos não só de ajuste fiscal, mas de crescimento da credibilidade do Banco Central e aperfeiçoamento institucional, como a lei de responsabilidade fiscal", disse.

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