Amadeo confirma que acordo com o FMI prevê queda de 1% do PIB este ano
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Lu Aiko Otta 
Brasília, 24 (AE) - A nova versão do acordo brasileiro com o Fundo Monetário Internacional (FMI), cujas negociações se encerraram ontem, prevêem que o Produto Interno Bruto (PIB) terá uma queda de 1% neste ano, segundo informou hoje o secretário de Política Econômica, Edward Amadeo. O dado, apesar de apontar para a retração da economia, representa uma melhora na expectativa. Na versão anterior do acordo, a projeção era uma queda no PIB entre 3,5% e 4% em 99. Amadeo considera a estimativa de -1% conservadora. "Pode ser mais, é possível que seja até zero", disse. Para o ano 2000, a estimativa é que a economia cresça 4%.
Por causa do melhor desempenho do PIB, o governo também foi obrigado a rever para baixo sua projeção de saldo comercial em 99, fixando-o em US$ 4 bilhões. Na versão do acordo com o FMI fechada em março passado, após a desvalorização do real, estimava-se um superávit comercial de US$ 11 bilhões. Como, porém, a atividade econômica será mais intensa do que o esperado
a tendência é que haja mais importação de matérias-primas e máquinas. Por isso o saldo comercial tende a reduzir-se. Estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio indicam que, se a economia brasileira tiver crescimento de 1%, o saldo comercial cai para US$ 2 bilhões.
A nova versão do acordo com o FMI embute, ainda, uma inflação menor do que a esperada em março. A projeção é de que a taxa medida pelo Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI) fique em 12% neste ano. A previsão anterior, medida pelo mesmo índice, era de uma inflação de 16,8%. Amadeo explicou que a inflação medida pelos índices de preço ao consumidor, porém, deverá ficar mais baixa. A expectativa, segundo tem afirmado o ministro da Fazenda, Pedro Malan, é de que as taxas fiquem abaixo dos 10%. O IGP-DI, diferentemente dos índices ao consumidor, inclui preços no atacado, que foram mais afetados pela desvalorização do real.
Nessa revisão do acordo com o FMI o governo não alterou seus critérios de desempenho com relação ao resultado primário do setor público consolidado - a diferença entre receitas e despesas, exceto gastos com juros, dos governos federal, estaduais, municipais e empresas estatais. O compromisso continua sendo um superávit equivalente a 3,1% do PIB neste ano e 3,25% do PIB em 2000. O valor em reais para esses compromissos foi alterado em função da revisão das estimativas de PIB e inflação. Para 99, o acertado inicialmente era R$ 30,018 bilhões. Nessa nova versão, o critério de desempenho ficou fixado em R$ 30,185 bilhões.
Amadeo não informou, porém, se serão mantidos os limites quantitativos de uso das reservas internacionais pelo Banco Central para controlar o câmbio. Eles foram fixados para o período entre março e junho e alguns integrantes da área econômica achavam que não era mais necessário mantê-los. "Não estou autorizado a falar sobre isso", disse Amadeo. A informação deverá ser divulgada na próxima semana. O secretário disse, ainda, que não houve decisão quanto ao saque da terceira parcela do empréstimo do FMI.


