Alvorada passará por reforma
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 03 (AE) - O Palácio da Alvorada passará por uma reforma nas instalações e troca de móveis. Segundo o chefe do cerimonial da Presidência, embaixador Valter Pecly, a reforma, que vai custar cerca de R$ 1,1 milhão, vai corrigir vazamento de água no banheiro da biblioteca, sanitários masculinos entupidos, estofados rasgados e instalar ar refrigerado em algumas salas.
Para cobrir os custos da reforma, que começa em janeiro do próximo ano, o governo utilizou mão da Lei de Incentivo à Cultura e garantirá os consertos e a troca dos móveis com dinheiro da iniciativa privada. O Comitê do Ministério da Cultura aprovou ontem (02) o projeto de reforma do Alvorada e a Fundação Banco do Brasil começará a captar os recursos junto a empresas privadas, que têm como estímulo para contribuir a isenção de impostos.
As alterações no Palácio da Alvorada - considerado patrimônio da humanidade - também tiveram o aval da Fundação Oscar Niemeyer e o projeto foi feito por uma comissão de cinco pessoas, entre elas dona Ruth Cardoso. A Fundação aprovou a escolha dos novos móveis, o consertos nos banheiros, mudanças no paisagismo e na iluminação, mas rejeitou o projeto para a colocação de ar refrigerado, apresentando um outro alternativo.
Os problemas constantes nos encanamentos dos cômodos do Alvorada têm obrigado Fernando Henrique a mudar de quarto. "A cada mês eu mudo de quarto, porque vaza tudo", queixou-se hoje o presidente. Segundo a assessoria de imprensa do Presidência, os encanamentos do palácio nunca foram revistos desde a conclusão da obra, em 1958.
Durante a visita do presidente norte-americano, Bill Clinton
ao Brasil, em final de 1997, para disfarçar o vazamento que o banheiro privado do presidente estava provocando na biblioteca, os assessores colocaram bem no centro da sala uma lixeira preta. "Os pingos caiam, enquanto os dois presidentes conversavam", lembrou um assessor. Mas a reforma de agora não incluirá a revisão total dos encanamentos e do sistema elétrica, que obrigaria Fernando Henrique a se mudar por seis meses.
"O presidente não quer sair", explicou Pecly. A dificuldade maior, segundo o embaixador, é o fato de as paredes dos banheiros do palácio serem forradas com mármore importado, o material usado na década de 50, que não é mais encontrado. Por isso, a "pequena reforma" incluirá apenas reparos em um dos banheiros sociais e nos banheiros da parte privada da residência
usada por Fernando Henrique e dona Ruth.
Os móveis do andar de baixo do Alvorada - que têm nove anos, segundo a assessoria do presidente - estão encardidos e rasgados. Os novos estofados, com design da década de 50 e escolhidos com ajuda de dona Ruth, serão encomendados no início da próxima semana, em São Paulo. Devem ser entregues em dois meses, informou Pecly, que acredita que a reforma total estará concluída em fevereiro do ano que vem.
A última reforma no Alvorada foi feita durante o governo do ex-presidente Fernando Collor, em 1992. Entre as mudanças, Collor fez uma sala de jantar, desceu a cozinha e colocou ar refrigerado nos cômodos da parte íntima do palácio. A reforma de agora incluirá a colocação de ar refrigerado nos salões de reunião e de jantar. "As autoridades pingam de suor", comentou Pecly.
O projeto de paisagismo, segundo Pecly, e o de mudança na iluminação do palácio não custarão nada. A idéia é plantar árvores grandes, dificultando a visibilidade do interior do palácio de quem está no lago. "O Palácio fica muito devassado neste ponto", disse o chefe do cerimonial.
Além de dona Ruth, participaram da comissão que elaborou o projeto de reforma do Alvorada o ex-diretor de Administração da Presidência Nilson Rabelo, a arquiteta paulista Regina Meyer, o diretor da Pinacoteca de São Paulo, Emanuel Araújo, e a embaixadora Vera Pedrosa, que também participou do projeto de reforma feito durante o governo Collor.


