Alvarez diz que governo autorizou operação para não perder crédito
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quinta-feira, 15 de abril de 1999
Por Vânia Cristino e Gustavo Freire 
Brasília, 16 (AE) - O Banco Central não reverteu a operação de transferência dos contratos do fundo administrado pelo Banco Stock-Máxima para o Banco Marka, de Salvatore Cacciola, e permitiu a remessa de recursos para o Marka Bank, com sede nas Bahamas, para honrar compromissos no exterior porque temia que o não pagamento desses compromissos pudesse afetar a perpectiva de risco de crédito do País. A explicação é do diretor de Fiscalização do Banco Central, Luiz Carlos Alvarez.
Ele disse hoje que, em situações passadas, o não pagamento de compromissos de uma empresa do Banco Garantia, no exterior, foi suficiente para afetar a cotação dos papéis da dívida externa brasileira - os bradies. Alvarez afirmou que, em janeiro
o Brasil já tinha perdido linhas de crédito em valores muito expressivos. "Poderíamos perder duas a três vezes mais", declarou.
Além disso, ao reverter a transferência, o BC provocaria a quebra do Fundo que, por sua vez, levaria à quebra do Marka Bank lá fora. Alvarez afirmou que o BC ainda não tem provas de que parte dos recursos remetidos tenha beneficiado o próprio Cacciola. O BC já sabe, por informações de autoridades americanas, da existência de posições, em reais, na Bolsa de Chicago, que foram honradas pelo Marka Bank com os recursos recebidos.
Pelos dados apresentados pelo BC à CPI, o número de contratos que estavam no fundo era de 2.300. Eles já integram o total de 12.650 que o BC assumiu com a Bolsa de Mercadorias e Futuros. Portanto, mesmo sem admitir, o BC acabou ajudando um fundo de investimento que tinha Cacciola como um dos cotistas.
Prejuízo - Segundo Alvarez, o fundo do Stock-Máxima teve prejuízo de US$ 5 milhões justamente porque o BC não permitiu o saque de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) dos diretores do Marka. A remessa para o exterior, feita nos dias 14 e 18 de janeiro, foi de US$ 13,1 milhões (R$ 20,3 milhões).
Para evitar que um banco lá fora, que não tem vínculo acionário com o banco aqui dentro, embora pertença ao mesmo dono
coloque em cheque a situação do País e obrigue o BC a agir, como o Marka Bank fez, Alvarez assegurou que o BC já vem tomando providências há algum tempo. "Já levantamos o problema nos fóruns internacionais com outros supervisores bancários e temos demonstrado, informalmente, que não concordamos com a existência desses bancos paralelos." O objetivo do BC é demonstrar que o Brasil não terá responsabilidade sobre a atuação desse banco paralelo lá fora.


