álvares intercede para impedir rejeição de general
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terça-feira, 19 de outubro de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 20 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio Alvares, teve hoje de interceder, por telefone, na votação da indicação do general José Luiz Lopes da Silva para o cargo de ministro do Superior Tribunal Militar (STM) com o objetivo de impedir que os ex-colegas do Senado rejeitassem o nome dele.
Silva comandou a operação que, em novembro, resultou na morte dos operários Carlos Augusto Barroso, de 19 anos, William Leite, de 22, e Walmir Monteiro e dezenas de feridos, durante a ocupação da sede da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), em Volta Redonda (RJ). Num discurso emocionado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que a indicação do presidente Fernando Henrique Cardoso, tendo em vista o passado do general, "é uma bofetada no povo brasileiro". "Fernando Henrique não tem sensibilidade política", justificou. "Ele esqueceu seu passado e agora quer ressuscitar um fato lastimável de nossa história."
A mensagem do presidente foi aprovada por 41 votos. Votaram contra a indicação 24 senadores, entre os quais se incluem governistas como Romero Jucá (PSDB-RR), Renan Calheiros (PMDB-AL) e Agnello Alves (PMDB-RN). O senador Ney Suassuna (PMDB) disse que a bancada da Paraíba votaria contra o general, mas mudou de idéia, depois de ouvir os argumentos do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e de álvares, de que a rejeição do nome deixaria o Exército numa situação muito ruim. ACM negou ter dito isso.
Ele disse que se limitou a pedir ao senador "que votasse por uma boa causa". "Não podemos ficar atrás dessas coisas do passado", justificou.
álvares informou que a escolha do general para o cargo foi feita por Fernando Henrique, com o total apoio dele.
"Ele tem o meu inteiro aval", assegurou. Apenas o líder do governo, José Roberto Arruda (PSDB-DF), defendeu a indicação presidencial.
Segundo ele, "ninguém tem o direito de atrapalhar a vida de uma pessoa com uma carreira brilhante".
O ex-ministro da Justiça, senador Renan Calheiro (PMDB-AL), explicou porquê votou contra: "O governo não tem critérios para indicar nomes e, nesse caso, o melhor que o Senado pode fazer é rejeitar o nome." "Não dá para repetir essa gafe", defendeu-se, provavelmente referindo-se ao desgaste sofrido pelo governo com a escolha do delegado João Batista Campelo para comandar a Polícia Federal (PF). Contestada desde o início por causa das acusações de que o delegado teria torturado presos políticos, a nomeação dele resultou num enorme desgaste para o governo, só aplacado depois de Campelo renunciar ao cargo.


