Brasília, 28 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares
disse hoje, em depoimento na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, que entrega a renúncia do cargo ao presidente Fernando Henrique Cardoso, caso sejam comprovadas as denúncias de seu envolvimento com o crime organizado no Espírito Santo.
A sessão da comissão foi marcada por um protesto do deputado José Dirceu (PT-SP), que considerou uma "armação política" o fato de o depoimento ter ocorrido no dia em que os parlamentares, Nilmário Miranda (PT-MG) e Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), autores da convocação do ministro, estavam em viagem no interior do País a pedido da Presidência da Câmara.
Houve bate-boca entre Dirceu e o deputado Francisco Rodrigues (PFL-RR), que chamou o petista de "moleque". Na avaliação de Dirceu, que se retirou da sessão em protesto, houve uma "operação abafa" das denúncias. Durante o depoimento, o ministro foi elogiado diversas vezes pelos parlamentares presentes.
Somente o deputado João Herrmann (PPS-SP), do mesmo partido do senador Paulo Hartung (ES), adversário de álvares no Espírito Santo, fez um questionamento a respeito de sua ligação com o prefeito de Cariacica, Dejair Camata, conhecido como Cabo Camata. O prefeito, que também seria ligado ao crime organizado, estava preso por ter sido flagrado por policiais com um arsenal de armas contrabandeadas e privativas das Forças Armadas, quando o ministro foi visitá-lo.
Segundo o ministro, a visita à Camata, que também faria parte da organização criminosa no Espírito Santo, foi para prestar solidariedade à família do prefeito que estava sofrendo constrangimentos ao tentar vê-lo na prisão. "Foi por uma questão de direitos humanos", justificou o ministro. álvares disse que não tem qualquer relação pessoal ou política com o prefeito. "Na eleição passada, o prefeito apoiou meu adversário", disse o ministro, referindo-se ao senador Paulo Hartung.
Para o ministro, o autor das denúncias, o delegado de Polícia Civil Francisco Vicente Badenes Júnior, teve motivação política ao apresentar as acusações na CPI da Assembléia Legislativa do Espírito Santo criada para investigar o caso. Ele avalia que o relatório contendo as acusações é "falho" e foi elaborado em época eleitoral - o documento é datado de 21 de setembro de 1998. "O delegado faz parte do grupo político de meus adversários no Espírito Santo", disse álvares, que entregou à comissão documentos e artigos de jornais para comprovar sua inocência. Dentre os papéis, está uma relação de processos na Justiça contra o delegado.

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