Brasília, 24 (AE) - O ex-ministro da Defesa, Élcio álvares, deixou o cargo hoje, sendo elogiado pelo novo ministro, Geraldo Magela Quintão. Mais uma vez, o presidente Fernando Henrique Cardoso, depois de "fritar" o ex-ministro, elogiou a atuação de álvares no Congresso, a lealdade e a "inteireza moral" dele.
"A honra não se compra com dinheiro", afirmou Quintão, em discurso de improviso, no Ministério da Defesa, depois de lembrar que a Constituição garante ao ofendido o direito de processar o ofensor. "Mas isso não basta", prosseguiu ele, ao comentar os "momentos difíceis" vividos por álvares nos últimos dias. "Algo tem de ser feito para se respeitar a dignidade e a privacidade do homem público", acentuou ele, depois de lembrar que condenar sem julgamento, hoje, "é o mote".
Segundo Quintão, "não se pode julgar ninguém antes de ser condenado" e "algo tem de ser feito para se respeitar a dignidade e a privacidade do homem público", prosseguiu Quintão
ao repudiar as acusações que estão sendo feitas contra álvares. "Estamos vivendo nesse País momentos delicados onde a honra perdeu o seu valor moral", acentuou Quintão. "Todos esquecem que, na Constituição, a privacidade, a honra, a intimidade e a dignidade são preceitos constitucionais e valores morais que integram o patrimônio individual de cada cidadão", disse o novo ministro, que foi muito aplaudido pelos presentes, ao fim da cerimônia. Depois, indagado pela imprensa se as palavras significavam que deveria haver algum tipo de censura, ele reagiu
dizendo que apenas explicava que não se pode condenar ninguém por simples acusações.
álvares não compareceu à solenidade de posse de Quintão no Planalto porque, de acordo com o que assegurou, "não foi convidado". Mas, durante a transmissão de cargo, fez um relato das ações desenvolvidas durante os 12 meses que passou no cargo, avisou que exerceu a autoridade "pelo diálogo e pelo entendimento, dentro de um clima de respeito recíproco e convivência cordial". Depois de elogiar o presidente e falar da lealdade a ele, álvares repudiou "com indignação as denúncias levianas, irresponsáveis e inconsistentes que buscam atingir 35 anos de ilibada vida pública".
Fernando Henrique lembrou que foi a forma "árdua e discreta" de álvares que permitiu que o projeto fosse tão rapidamente aprovado. "Por todas essas razões e pela lealdade e inteireza do ministro Élcio álvares, que suportou com altivez os embates a que os homens públicos se tornam sujeitos nos dias de hoje", prosseguiu o presidente, ao falar sobre o "amigo e colaborador", que tantos serviços prestou ao governo e ao Ministério da Defesa.

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