álvares apoia questionamento da Aeronáutica sobre venda de ações da Embraer
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terça-feira, 07 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 07 (AE) - O ministro da Defesa, Élcio álvares, confirmou hoje seu apoio à decisão da Aeronáutica, de questionar a venda de 20% das ações da Embraer para um grupo de quatro grandes empresas francesas do setor aeroespacial. Depois de participar de solenidade no Planalto, álvares declarou que aguarda apenas os pareceres do Conselho de Administração e Defesa Econômica (Cade), da Advocacia Geral da União (AGU) e da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional para formar opinião e, se preciso, levará o caso para a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A decisão de fazer consultas à AGU e à Procuradoria da Fazenda estava sendo tratada de forma sigilosa pelos militares. Eles querem saber com as consultas se o fato de a União possuir 2,1% de ações ordinárias do tipo golden share (ações preferenciais que dão poder de veto) não obriga a Embraer - empresa que foi parcialmente privatizada - a consultá-la.
"A princípio eu acompanho o pensamento da Aeronáutica"
disse o ministro. "Depois que tivermos colhido esses elementos todos vamos formar uma opinião para ir ao presidente da República", acrescentou, sem adiantar, entretanto, que tipo de providências poderá adotar.
De acordo com o ministro Élcio, a Aeronáutica alega que a decisão da venda das ações não foi discutida no Conselho gestor da empresa. "A Aeronáutica não fez mistério, mas não foi consultada", comentou o ministro. "Fizemos as consultas para saber como se opera a eficácia das golden share. Élcio confirmou hoje que existe uma preocupação grande do Ministério da Aeronáutica sobre uma possível subordinação "a uma linha francesa de aeronaves" se a venda a empresas francesas se confirmar.
"A aeronáutica tem uma posição declarada e documentada, entendendo que a operação não seria interessante para o Brasil e que por isso é uma questão de defesa nacional", disse Élcio álvares. O ministro lembrou que no próximo deverá haver o reequipamento da Força área Brasileira. "Sinto que a Aeronáutica quer opções na compra de novos aviões e eles entendem que talvez ficássemos subordinados a uma linha francesa de aeronaves", comentou. "Esse é o problema concreto." Hoje Élcio conversou com o presidente do Cade, Gesner Oliveira, para saber sobre o andamento do processo. "O Cade tem andado rápido", comentou. Mas Gesner Oliveira afirmou hoje que não há prazo determinado para responder ao questionamento feito pela Aeronáutica.


