Os vinte alunos da Universidade Estadual de Londrina (UEL) que participaram do projeto Universidade Solidária, este ano, voltaram na última quinta-feira do Rio Grande do Norte animados com os resultados da viagem. Eles embarcaram no dia 12 de janeiro e trabalharam em duas cidades do sertão nordestino - Poço Branco e Afonso Bezerra. Lá, os alunos puderam experimentar na prática alguns conceitos teóricos que aprenderam em sala de aula.
O Universidade Solidária é um programa federal criado em 1995 e coordenado pela socióloga Ruth Cardoso. A idéia é dividir com as populações carentes do Nordeste as experiências desenvolvidas nos bancos universitários, sobretudo nas áreas de saúde e educação. Além disso, pretende também estimular a solidariedade entre os estudantes de 3º grau.
Os alunos dizem que os projetos implantados no Rio Grande do Norte contemplaram principalmente as áreas de saúde e educação. Adriana Prestes do Nascimento, estudante de Odontologia, aponta, por exemplo, um convênio com a Fundação Nacional da Saúde (FNS) e secretarias estadual e municipal da Saúde, que deve atender 1,5 mil crianças de Poço Branco em projeto de prevenção bucal. ‘‘O índice de cárie lá é muito alto’’, observa Adriana. Os alunos foram os intermediários do convênio.
Outro acordo intermediado pelos alunos, entre o município de Poço Branco e a Sociedade Civil para o Bem-Estar da Família (BMFAM), deverá ser assinado ainda hoje. O trabalho visa transmitir noções básicas de planejamento familiar a famílias de baixa renda.
Em Poço Branco também foi criado, com orientação dos alunos da UEL, o Conselho Municipal de Educação, requisito obrigatório para criação de um fundo de captação de recursos públicos; 40% do dinheiro enviado para este fundo é revertido para o salário dos professores. Alguns deles poderão ver os vencimentos saltarem de R$ 72,00 para aproximadamente R$ 300,00.
Um dos principais resultados da viagem, segundo os alunos, foi conseguir abrir em Poço Branco um aterro sanitário para onde será levado o lixo hospitalar.
Em Afonso Bezerra, o trabalho seguiu os mesmos padrões, privilegiando as áreas de educação e saúde. A idéia inicial, segundo os alunos, era promover diversas palestras com a comunidade local. Mas, chegando lá, os estudantes perceberam que seria mais eficiente fazer visitas de casa em casa, orientando as famílias e treinando novos agentes de saúde.
Cláudia Portela Pinto, do curso de Enfermagem, lembra que o treinamento era feito de acordo com a necessidade de cada família. Se havia uma gestante na residência - por exemplo - havia orientação sobre os cuidados que deveriam ser tomados durante o período da gravidez.

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