Alunos terão camisinha após educação sexual
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terça-feira, 19 de agosto de 2003
Maigue Gueths<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A distribuição de camisinha na escola não vai incentivar os adolescentes a fazerem sexo? Tanto o menino como a menina podem pedir a camisinha? O professor vai passar por alguma capacitação para tratar do assunto com seus alunos? As perguntas feitas por pais, professores e alunos de 14 escolas de Curitiba a representantes dos Ministérios da Saúde e da Educação, durante o lançamento do programa do governo federal, que prevê a disponibilização de camisinhas nas escolas, mostra que o assunto é polêmico.
As respostas do ministro da Saúde Humberto Costa, no entanto, serviram para tranquilizar os presentes. Ele fez questão de ressaltar que as camisinhas não serão distribuídas aleatoreamente, mas disponibilizadas nas escolas para os adolescentes que já têm vida sexual e solicitarem o produto. Ele também frisou que os preservativos só começam a ser entregues a partir de setembro, depois que os professores passarem por capacitação e os alunos receberem orientações sobre sexualidade responsável. Cada escola definirá como fará a entrega dos preservativos.
''É muito melhor pegar a camisinha na escola, onde a gente conhece o pessoal, do que ir num posto de saúde ou entrar para comprar em uma farmácia'', diz Lilian de Oliveira Andrade, de 16 anos. Ela conta que ainda não teve relações sexuais, mas namora um rapaz de 21 anos. ''Quando eu transar vou usar camisinha'', garante. Dorival Conceição, pai de um adolescente de 17 anos, também concorda com o programa. ''Já passamos pela capacitação e foi muito importante para que os pais saibam como conversar com seus filhos'', diz.
A meta do Projeto Saúde e Preservação nas Escolas é atender até 2006 a todos os alunos entre 14 e 19 anos da rede pública de ensino. Com isso, serão entregues cerca de 235 milhões de preservativos por ano para 32,5 milhões de estudantes em todo País. Por enquanto, o projeto está em fase experimental. Participam desta primeira fase, além de Curitiba, mais quatro municípios: Xapuri e Rio Branco, no Acre, e São Paulo e São José do Rio Preto, em São Paulo.
Em Curitiba, foram selecionadas 14 escolas, sendo sete estaduais e sete municipais, com um total de 5 mil alunos nesta faixa etária. Até dezembro deste ano, a meta é atender 30% da demanda destes cinco municípios, oferecendo 256 camisinhas para cerca de 30 mil alunos. A partir desta experiência, o Ministério vai definir as mudanças necessárias para ampliar o programa para o restante do País.
''As meninas estão começando a vida sexual cada vez mais cedo, a maioria com garotos mais velhos, que já tiveram outras relações, mas elas têm dificuldade de convencê-los a usar preservativo'', afirmou o ministro, explicando que um dos objetivos do programa é justamente proteger estas meninas, que correm o risco de engravidar ou contrair alguma doença sexualmente transmissível, como a Aids. ''Não adianta só dizer para usarem camisinha, é preciso que os jovens tenham acesso''.
De acordo com o diretor do Programa Nacional de DST/Aids Alexandre Granjeiro, os adolescentes iniciam a vida sexual em média com 14 a 15 anos. Com isso, o número de adolescentes infectados com o vírus da Aids e de adolescentes grávidas vem aumentando cada vez mais. Fernanda, de 16 anos, que cursa a 8 série, é uma exceção à maioria dos jovens. ''Eu uso pílula e mesmo assim ele usou camisinha'', diz, contando que só manteve relação sexual uma vez. Ela garante, no entanto, que pretende continuar se protegendo.


