Maurício Borges
Enviado a Marilândia do Sul
Depois de ouvir ontem a atendente de enfermagem Lourdes Gutierrez, e a secretária administrativa Shirlei Munhoz Dezote, o delegado Odair Cordeiro constatou a existência de mais uma irregularidade no Hospital Municipal de Marilândia do Sul. As duas funcionárias confirmaram que os responsáveis pelos plantões de fim de semana eram estudantes de medicina e que clinicavam sem o acompanhamento de qualquer médico.
O hospital foi interditado no dia 21 por uma equipe do setor de Vigilância Sanitária da 16ª Regional de Saúde (Apucarana), após um pedido de vistoria solicitado pela promotora da Comarca, Suzana Feitosa de Lacerda. Entre as irregularidades relacionadas estavam as condições higiênico-sanitárias inadequadas e a existência de diversos lotes de remédios com prazo de validade vencido. Outro agravante foi a comprovação de que o auxiliar de enfermagem Gérson Carlos Pizápio clinicou no hospital como médico por 8 meses.
Com o fechamento do hospital e as denúncias de que havia um falso médico e estudantes atendendo os pacientes, começaram a surgir vários casos em que parentes de pessoas falecidas atribuem suas mortes a estes supostos profissionais de medicina. Contudo, o delegado Odair Cordero afirmou ontem que não há nada comprovado.
O lavrador Antônio Delmiro Fagundes, 43 anos, contou ontem que sua mulher, Renailda Matias Neris Fagundes, foi atendida dia 18 no hospital e transferida para Apucarana, onde acabou falecendo pouco depois. ‘‘Com a interdição do hospital fiquei sem o atestado de óbito de minha esposa’’, reclama ele.
Segundo Lourdes e Shirlei, em todos os procedimentos realizados pelos estudantes, eram utilizados apenas carimbos com nomes e números do Conselho Regional de Medicina (CRM) dos médicos José Jorge Bosco e Fernando Jorge Siroti. Tanto a secretária como a atendente de enfermagem disseram que não sabiam seus nomes completos. Eles foram identificados apenas por Clinton, Alexandre e Márcio, que seriam alunos do 6º e do 7º ano do curso de medicina da Unoeste, de Presidente Prudente-SP.
A partir de hoje, com o depoimento do médico Ronaldo Toscano de Brito, que respondia pela direção clínica do Hospital Municipal de Marilândia do Sul, a polícia tentará obter mais detalhes e a identificação dos estudantes. A Folha de Londrina/Folha do Paraná tentou ontem, sem sucesso, ouvir o responsável pelo Departamento de Medicina da Unoeste.
Ainda ontem a delegacia seccional do Conselho Regional de Medicina (CRM de Apucarana) informou, através de seu secretário, Carlos Alberto Gebrin Preto, que já manteve contato com o Ministério Público de Marilândia. ‘‘Estamos aguardando uma notificação oficial para poder encaminhar as providências cabíveis, em situações nas quais ficarem comprovadas a quebra da ética no exercício da profissão’’, anunciou Preto.
Ele explicou que o exercício da medicina por estudantes é ilegal. ‘‘Isso só é permitido em caso de estágio e com acompanhamento permanente de médicos devidamente credenciados pelo CRM’’, informou.

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