Estudantes de diversos cursos da Universidade Estadual de Londrina (UEL), fizeram uma passeata ontem pela manhã no campus para protestar contra o processo seletivo para a contratação de novos professores. Durante a manifestação os estudantes vaiaram o Secretário de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Aldair Rizzi, que estava na universidade para inauguração do prédio do Instituto de Referência em Ciências Humanas.
A abertura do processo seletivo para contratação 690 professores universitários em regime temporário, foi anunciada no final do mês de março pelo governo do Estado e visava reduzir o déficit de professores no terceiro grau. A UEL, que havia requisitado 190 docentes para preencher as vagas abertas com aposentadorias, desligamentos e término de contratos temporários, só receberá 167.
Mas a decisão não agradou os estudantes, que pediram aos sons de apitos e vaias a realização de concurso público. O secretário Aldair Rizzi disse que a solução é precária e que visa amenizar a situação. ''Eu entendo eles (estudantes). Não é um problema só de verbas, mas também estamos impedidos por lei de realizar as contratações'', explicou o secretário.
Segundo o coordenador acadêmico do Diretório Central de Estudantes (DCE), Rafael Rodrigues da Silva, os professores não poderão desenvolver projetos de pesquisa e extensão pois serão contratados apenas por dois anos, como uma carga horária de 20 horas semanais. A presidente do Centro Acadêmico (CA) de psicologia, Júlia Carolina Bosque, lembra que os docentes também não terão tempo para qualificação e isso deve prejudicar a qualidade do ensino.
A falta de docentes tem gerado mudanças na rotina dos alunos. ''Alguns professores estão juntando turmas em aulas práticas e isso prejudica'', declarou Júlia, que está no quarto ano de psicologia. A estudante contou que a a manifestação teve apoio do colegiado do curso que liberou os alunos. A caminhada foi inicialmente organizada pelo CA de psicologia, mas a participação de outros cursos foi incentivada pelo DCE.
De acordo com a reitora da UEL, Lygia Pupatto, os diretores dos centros de estudo já redimensionaram as contratações com base no limite de 167 professores e em aproximadamente 30 dias os aprovados no processo devem começar a lecionar. ''O importante é que nenhum aluno fique sem aula'', disse Lygia.

mockup