Alunos podem terminar ano letivo sem livros
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Londrina A pouco mais de um mês para o término do ano letivo, ainda há alunos de escolas estaduais sem livros didáticos em Londrina. Indignado com a situação, o aposentado José Lucinger diz que o filho de 15 anos, estudante do nono ano do Colégio Estadual Newton Guimarães, provavelmente vai reprovar a série pela falta do material. Ele tenta mobilizar mais pais para denunciar o caso ao Ministério Público (MP), já que não obteve retorno satisfatório do Núcleo Regional de Ensino (NRE) de Londrina.
Segundo ele, o filho não tem nenhum livro de nenhuma disciplina. "Os professores dão trabalho para casa, passam o conteúdo no quadro. Algumas vezes, eles estudam em conjunto com o mesmo material, mas somente em sala de aula. Tanto ele como outros adolescentes não têm estímulo nenhum. Sem contar que está sendo violado um direito deles", contou. Ainda conforme o aposentado, em conversas com a diretora da escola, Sueli Braga, desde o início do ano ela tenta resolver o problema, só que não recebe auxílio e nem resposta. "Ninguém se responsabiliza."
Conforme a diretora, a situação está sendo driblada com estratégias e alternativas diferentes. "Já solicitei de todas as formas possíveis ao Núcleo, mas a resposta é sempre que não tem livro disponível, que o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) é o responsável. Conversando com outras escolas da cidade, conseguimos trocar exemplares e substituir alguns. Enquanto isso, os professores estão tendo que usar da criatividade e paciência para conseguirem passar o conteúdo. Não posso dizer que o rendimento dos alunos caiu, porém, o livro é uma ferramenta a mais de trabalho", concluiu.
Outra escola que continua com a falta de livros é o Instituto de Educação Estadual de Londrina (Ieel). De acordo com a diretora-geral Rosicler Bueno, há falta de material na escola em todas as séries, mas o problema se deve ao fato da abertura de novas turmas que não estavam previstas no censo que foi encaminhado para o envio de livros. Uma funcionária relatou à reportagem que o oitavo e nono anos estão com falta de exemplares em todas as disciplinas. Para isso, os professores levam caixas com cerca de 35 livros para a sala em que a disciplina será ministrada.
Em julho deste ano, ao final do primeiro semestre do ano letivo, o NRE divulgou que 31 escolas de Londrina e região ainda estavam com falta de livros. Contabilizadas as turmas de oitavo e nono anos, o deficit de livros chegava a mais de 6 mil exemplares, afetando cerca de mil estudantes. O número atual não foi repassado.
A coordenadora de Livros Didáticos do NRE, Nilse Lélia de Carvalho, disse que a responsabilidade de intermediar é do Departamento de Logística da Secretaria da Educação do Estado. Em nota, a assessoria de comunicação da Seed diz que a Secretaria já havia solicitado providências junto ao Ministério da Educação (MEC) para a reposição dos livros. "Aguardamos um novo retorno do MEC e o levantamento atualizado do que já foi repassado aos Correios para distribuição. Vale ressaltar que é o próprio ministério que determina as quantidades e entrega os livros didáticos nas escolas das redes públicas estaduais em todo o País e em nenhum momento o processo e a logística passam pela Secretaria de Estado da Educação."
A assessoria de imprensa do FNDE, órgão do MEC responsável pela compra e distribuição dos livros didáticos, disse apenas que "os livros foram enviados e chegaram às escolas antes do início do ano letivo, podendo ter havido problemas pontuais." No site do órgão, a informação é de que a distribuição de livros pertence ao Programa Nacional do Livro Didático (PNLD), executado em ciclos trienais alternados. Assim, a cada ano o FNDE adquire e distribui livros para todos os alunos de determinada etapa de ensino e repõe e complementa os livros reutilizáveis para outras etapas.


