Londrina - Quem acompanha as corridas de Fórmula 1 está acostumado a ver engenheiros com seus laptops fazendo ajustes nos carros. Qualquer erro pode resultar em uma classificação insatisfatória. Na tarde de ontem, durante o 1º Campeonato de Robótica do Núcleo de Atividades de Altas Habilidades/ Superdotação de Londrina (NAAH/S- Londrina), o público presente pode ter tido a mesma sensação. A competição foi realizada no salão nobre do Colégio Vicente Rijo (área central). Vários alunos cuja faixa etária variava dos 12 aos 17 anos de idade entraram na disputa com seus robôs construídos utilizando kits de uma empresa de blocos de montar, que já vinha com um circuito que os alunos podiam realizar modificações em sua programação. Todos os competidores estavam munidos com computadores, pelos quais inseriam dados para que seus robôs cumprissem cada prova com o melhor desempenho possível.
A competição teve 29 participantes dos ensinos Fundamental e Médio divididos em cinco equipes. Entre as provas estavam girar o robô de forma mais precisa possível de acordo com um ângulo fornecido no momento da prova. Quem chegasse mais próximo do ângulo fornecido ganharia mais pontos.
O segundo desafio exigia que o robô de cada equipe percorresse um perímetro de um quadrado, que no caso consistia em uma base com reproduções de pirâmides egípcias, no menor tempo possível sem tocar na base. Já o terceiro desafio foi denominado como a prova do Robô Ninja, na qual um robô explorou um percurso em que deveria desviar de obstáculos utilizando sensores de toque. Neste caso foram espalhados vários cilindros pelo chão, prova semelhante ao quarto desafio, que exigiu a utilização de sensores ultrassônicos em vez do dispositivo sensível ao toque.
A última prova consistiu em percorrer com o tempo mais baixo um labirinto determinado por fitas adesivas de cor preta utilizando sensores de cor.
A dupla formada por Vitor Hugo Dias, de 16 anos, e Gabriel Benfica, de 12, foi a vencedora da prova de girar o robô em torno de seu eixo. A organização determinou que o robô deveria girar 135º, eles conseguiram que o robô girasse 134º. Isso fez com que eles obtivessem 99,7 pontos de 100 possíveis.
Dias é um adolescente que adora desenhar e que almeja cursar engenharia elétrica ou eletrônica. Ele revela que trabalhou no projeto uma vez por semana durante seis meses. Ele confidenciou que um dia quer desenvolver seus próprios robôs. "Fazendo isso agora, no Ensino Médio, a gente vai tendo uma noção do que vai encontrar nesses cursos e não tem tanto medo de ser uma coisa difícil", analisou.
Benfica ainda não sabe o que irá cursar na faculdade, mas já demonstra facilidade em manusear o computador e os robôs.
O professor de Engenharia Elétrica da UEL, Ernesto Ramirez, um dos coordenadores da competição, destaca que competições desse tipo incentivam os alunos a cursarem engenharia. "Essa competição promove o aprimoramento das habilidades sociais, porque os alunos precisam trabalhar em equipe. Também desenvolve a habilidade cognitiva, já que eles são instigados a utilizar a lógica matemática e a espacial", apontou.
Ramirez destaca que os participantes também entram em contato com noções de programação e controle de dispositivos eletromecânicos como motores, sensores de luz, de toque, cor e ultrassom.
De acordo com o professor de Engenharia Elétrica da UEL, Osni Vicente, um dos problemas que impede a expansão da atividade é o custo dos kits para montar os robôs (R$ 2 mil cada) e dos laptops (R$ 1,5 mil). "Muitos colégios não têm condição de ter o equipamento completo", ressaltou.
A coordenadora do NAAH/S, Fabiane Chueire Cianca, destacou que por meio destas competições os alunos colocam em prática o que aprenderam nos bancos escolares. "Essa competição foi inédita. Quanto maior for o desenvolvimento nessa área, ficaremos mais perto das novas tecnologias", salientou.

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