Alunos invadem reitoria para cobrar cotas
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quarta-feira, 13 de agosto de 2003
Luiz Francisco<br> Agência Folha 
Salvador - Com colchonetes, travesseiros e livros, cerca de 40 estudantes da UFBa (Universidade Federal da Bahia) invadiram o prédio da reitoria para cobrar uma posição da instituição em relação à implantação de cotas para afrodescendentes. No final da tarde de ontem, 27 horas após a invasão, os estudantes permaneciam acampados no prédio, localizado no centro de Salvador. ''Nós queremos uma resposta escrita e assinada pelo reitor (Naomar Almeida) em relação às nossas reivindicações'', disse o estudante de ciências sociais Kleber Rosa.
Segundo a assessoria da UFBa, há dois meses o reitor Almeida encaminhou ao Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da instituição a proposta para a implantação das cotas. O projeto ainda está em fase de avaliação, de acordo com a universidade.
Além das cotas, os estudantes que invadiram a reitoria reivindicam a isenção do pagamento da taxa para a inscrição no vestibular e a criação de um calendário para acompanhar a tramitação do projeto. ''Também queremos uma política que ofereça aos negros auxílio para a moradia, transporte e alimentação'', disse Roquildes Ramos, estudante de sociologia da UFBa.
Para a estudante, o sistema atual de ensino restringe a participação dos negros na universidade. ''Ser pobre e branco é muito diferente de ser pobre e negro, já que os pobres e brancos têm mais privilégios.''
Durante todo o dia de ontem os estudantes acampados participaram de reuniões com o reitor. ''Não ficamos satisfeitos com as respostas parciais às nossas propostas. Queremos mais objetividade'', disse Rosa.
No Estado, a primeira universidade a implantar um sistema de cotas para negros foi a Uneb (Universidade Estadual da Bahia). No último vestibular, realizado em janeiro, a instituição reservou 40% das vagas para os afrodescendentes. ''Não existe outra alternativa, pelo menos por enquanto, para o negro ter as mesmas oportunidades dos brancos em relação ao ensino superior. O sistema de cotas é democrático e pode ser implantado em qualquer universidade'', considerou Roquildes Ramos.


