Londrina - Ontem deveria ser o primeiro dia de aula da rede estadual de educação. Mas os alunos encontraram as escolas com os portões fechados devido ao início da greve dos professores, decidida em assembleia realizada em Guarapuava no sábado passado. Em todo o Estado, quase 1 milhão de estudantes terão de adiar o início do seu ano letivo em função da paralisação. Alguns alunos que ficaram em dúvida se as atividades seriam realmente paralisadas acabaram aparecendo no primeiro dia de aula em Londrina.
O estudante Bruno Moreira Pinto, de 15 anos, estudante do primeiro ano do Ensino Médio do Colégio Estadual Hugo Simas, estava todo uniformizado, e logo na entrada encontrou professores informando sobre o movimento grevista. "Eu já sabia da greve pelo noticiário, mas acabei vindo para o colégio para confirmar se ela aconteceria mesmo. Encontrei com o diretor da minha escola e alguns professores. Eles explicaram tudo", disse, conformado, enquanto voltava para casa.
Para Thales Matheus, de 15 anos, e Ingrid Gabriela Dias, de 14, ambos alunos do Colégio Estadual Vicente Rijo, a ida ao colégio também foi uma viagem perdida. Ambos acordaram às 5h40 para ir estudar. Ele mora no Jardim Imagawa e ela nos Cinco Conjuntos (ambos na Zona Norte). "No Facebook tinha muitas informações desencontradas. Algumas pessoas afirmavam que iria ter aula, outras disseram que não ia. Resolvemos vir para conferir pessoalmente", afirmou Ingrid.
Os alunos mais preocupados com a paralisação são os do terceiro ano do Ensino Médio. Estudantes do último ano do Colégio Estadual Willie Davids, na Vila Casoni (Região Central), disseram que a greve pode colocá-los em desvantagem na preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e na disputa de vagas nos vestibulares. Matheus José da Silva, Leandro Alexandre da Silva, Flávia Moreira e Eric Koiti, todos com 16 anos, explicaram que, se a greve se estender, isso pode refletir até no trabalho.
"Nós trabalhamos e estudamos, e temos horários determinados para isso. Se a greve se prolongar muito, a reposição das aulas pode ser feita aos sábados, dia em que precisamos trabalhar", argumentou Matheus. Ele e Flávia disputarão uma vaga no curso de Engenharia Civil, conhecido por exigir muito empenho dos alunos nas disciplinas de cálculo e física, e isso também preocupa, pois a greve pode refletir até no desempenho deles no Ensino Superior.
A aluna do primeiro ano do Hugo Simas Stefany dos Reis, de 16 anos, foi ao colégio sem uniforme, pois já sabia da paralisação. Ela precisava de uma declaração do colégio para poder obter a carteira de passe livre e conseguiu o documento, mas outra aluna do colégio não teve a mesma sorte. Nathália Paladino, de 16 anos, aluna do terceiro ano do Hugo Simas, revelou que foi ao colégio ciente da greve e que queria obter somente essa declaração para conseguir a carteira. "Vim atrás disso, mas eles não estão trabalhando. Terei que vir depois", afirmou.
Para Hemily Sestário Barbosa, de 16 anos, a orientação para ir ao colégio independentemente se haveria aula ou não partiu de seu pai. "Ele me disse que, se tivesse aula, era para eu assistir. Se não tivesse aula, era para eu ajudar", declarou a aluna do segundo ano do Colégio Vicente Rijo. Ela afirmou que ajudaria os professores na confecção de cartazes em apoio ao movimento grevista. "Estar aqui é uma forma de mostrar que os estudantes estão preocupados com a situação da educação", explicou.
Outro aluno do Vicente Rijo, Zaqueu Pereira, de 15 anos, afirmou que, embora o cumprimento das disciplinas possa ficar prejudicado, a educação em si é mais importante. Por esse motivo, ele apoia a greve. "Os professores estão buscando a valorização de sua profissão e a educação é a base de tudo. Temos muito a melhorar na educação", resumiu.

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