Alunos e profissionais de saúde simulam acidente com múltiplas vítimas
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sábado, 03 de março de 2018
Lais Taine<br>Reportagem Local 
Um ônibus perde o controle e colide com dois veículos. Nessa situação, 20 vítimas classificadas entre leve, média, grave e gravíssima precisam de socorro. Como atender tantas pessoas ao mesmo tempo e enfrentar condições ambientais, psicológicas e sociais complicadas? Com a proposta de treinar profissionais e alunos para situações caóticas, a Liga Acadêmica do Trauma da UEL (Universidade Estadual de Londrina) realizou a simulação de Incidente com Múltiplas Vítimas (Imuvi) neste sábado (3), em frente ao Jardim Botânico de Londrina (zona sul).
"É um treinamento para capacitar alunos de enfermagem e medicina desde o primeiro ano do curso. Presenciando a cena, eles vão saber lidar melhor com a situação", explica Lucas Pozzobon, aluno do 3º ano de medicina e integrante da liga. "É também uma reciclagem do aprendizado, porque temos profissionais participando também", acrescenta a colega de turma Nicole Orlandini.

Bárbara Melo, docente da UEL, defende que este tipo de treinamento não é comum, mas importante. "O governo não investe neste preparo. Londrina é uma cidade grande, com muitas possibilidades. Se um dia acontecer, é possível diminuir os danos, tanto de morte, quanto de impacto ambiental e social."
Na ocasião, três pontos diferentes representam as posições de atendimento: local do acidente, a chamada zona quente; as lonas do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), para a triagem dos pacientes; e os hospitais. Os cem participantes se dividiram entre os papéis de socorristas, médicos, enfermeiros, vítimas e curiosos.
A maquiagem simula ferro perfurando o crânio ou abdômen e vísceras expostas para trazer realidade à cena. Quem passa por vítima, estuda o caso para saber como reagir. Os curiosos têm a função de atrapalhar o atendimento. Nisso, destaca-se o papel da sociedade. "É importante para treinar a população. Ela tem de estar preparada, inclusive, no dia de desastre", explica a professora.
O objetivo é capacitar os participantes por meio de cenário fiel, que permitirá a captação do estresse, a tomada rápida de decisão e a atenção aos detalhes neste tipo de ocorrência. "A gente vê muito na teoria, é diferente da prática. Estar no momento, na pressão, com pessoas pedindo ajuda. Por mais que estude, tem coisas no atendimento que não dá para prever. Por exemplo, aqui está sol, bastante calor, tem uma distância de um ponto para outro", cita Orlandini.
Todos passaram por aulas teóricas ministradas por profissionais da AML (Associação Médica de Londrina) entre 26 e 28 de fevereiro. Para a organização do evento, a Liga Acadêmica do Trauma da UEL teve apoio do Samu, Hospital do Coração, Corpo de Bombeiros, AML, CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização de Londrina), Jardim Botânico, Promidia Propaganda, Colégio Máxi, SJT Educação Médica e Damásio Educacional.


