Alunos e professores protestam contra prisão de Ceará
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Paula Pereira 
São Paulo, 02 (AE) - Reunidos na frente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), na Avenida Doutor Arnaldo, em São Paulo, cerca de 200 estudantes e alguns professores protestaram hoje contra a prisão Frederico Carlos Jana Neto, o Ceará. Ele ficou detido do dia 28 até hoje sob suspeita de assassinato do calouro Edson Tsung-Chi Hsueh, de 22 anos, em 22 de fevereiro. O objetivo da manifestação também foi se solidarizar.
"É um cara extremamente carismático: não tem um médico, uma auxiliar de enfermagem que não simpatize com ele", disse Alessandra Despinoy, que cursa o 6.º ano de medicina. Boa parte dos alunos nem sequer estudava com o rapaz, mas fez questão de participar do movimento, escrevendo mensagens de apoio em uma faixa estendida no chão.
Os estudantes estavam revoltados com a prisão do rapaz, que disse, numa fita, em tom de brincadeira, ter matado Hsueh. "Onde vamos as pessoas fazem essa brincadeira com alunos de medicina por isso muitos respondem brincando", disse Sharon Nina Admoni, de 20 anos.
Inocente - A frase "Fred é inocente" estava escrita repetidas vezes em folhas de papel, que circilavam entre os alunos. "Talvez entreguemos para ele (Jana Neto), mas fizemos mais para expressar o que pensamos", comentou Maura Neves, de 24 anos. "Queremos mostrar nosso apoio, que não estamos acreditando nessa versão", afirmouAry de Azevedo Marques Neto, de 21 anos, do 3.º ano. "Ele está pagando um preço que não deveria recair só sobre ele."
A manifestação acabou tomando ares de defesa do grupo de estudantes de medicina como um todo. Muitos preferiram não falar na morte de Hsueh, que consideram uma fatalidade, ou na razão do silêncio dos alunos quanto ao que ocorreu no dia do trote. "Foi um acidente, ninguém viu nada no dia e não há porque ele (Jana Neto) estar preso", disse Sharon.
Elite - O professor emérito Vicente Amato Neto esteve na manifestação e se disse satisfeito por ver que os alunos estavam "saindo de uma fase acabrunhada e de sofrimento" depois da morte do calouro, em fevereiro. "O patologista Paulo Saldiva uniu-se aos alunos para protestar contra a prisão de Jana Neto, que foi seu aluno por três anos. "Sempre demonstrou honestidade total", afirmou. Saldiva acha que, no máximo, pode-se dizer que Jana Neto participou do trote violento que resultou na morte do calouro Hsueh e criticou a divulgação "exagerada"que os meios de comunicação têm feito do caso.
"Estamos começando a ficar indignados", bradou. "Estes alunos são a elite intelectual de São Paulo, comprovadamente as melhores notas do vestibular, e a idéia que se quer dar é de uma juventude transviada", argumentou.


