Alunos do Provar enfrentam discriminação
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quinta-feira, 21 de outubro de 2004
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Pesquisa feita entre alunos que ingressaram na Universidade Federal do Paraná (UFPR) por meio do Programa de Ocupação de Vagas Ociosas (Provar) aponta que esses estudantes estão sendo discriminados na instituição pelos colegas que passaram no vestibular e, até mesmo, por professores. Além das dificuldade de relacionamento, os universitários estariam enfrentando obstáculos para ter acesso aos serviços da UFPR. Em 2003, o Provar ofereceu 1009 vagas, das quais 966 foram preenchidas. Os números de 2004 não foram informados pela assessoria de imprensa da universidade.
A professora do departamento de Teoria e Prática da Educação, Tânia Baibich-Faria, explicou que a pesquisa é uma das atividades da disciplina ''O Preconceito e as Práticas Escolares'', ministrada por ela no curso de Letras. Até agora, 80 alunos foram ouvidos. Ela não chegou a contabilizar o percentual de estudantes que já teriam sido vítimas de alguma situação discriminatória, mas assegura que o número ''é bastante contundente''. Os alunos do Provar, segundo ela, são obrigados a ouvir, com frequência, que entraram na universidade pela porta dos fundos.
Além dos acadêmicos da própria UFPR, que podem fazer a reopção de cursos, o Provar admite alunos vindos de outras instituições, públicas ou privadas, e, ainda, quem deseja fazer uma nova faculdade. A proposta foi alvo de polêmica dentro da instituição por alunos e professores que se mostraram contrários à idéia. ''Muitos professores não foram favoráveis ao processo porque acharam que faltou discussão e porque não concordavam com a forma encontrada para preencher as vagas'', disse Tânia. ''Mas depois do processo implantado, ele é legítimo'', ressaltou.
Por meio da assessoria de imprensa, o reitor da UFPR, Carlos Moreira Júnior, disse que está preocupado com essa situação e, mais ainda, com os alunos afrodescentes que ingressarem no próximo vestibular pelo sistema de cotas. A universidade está elaborando campanhas internas, voltadas para alunos e professores, e também envolvendo os pais dos calouros, além da implantação de um disque-denúncia.
A assessoria informou, ainda, que nenhuma queixa por parte dos alunos do Provar foi formalizada junto à universidade. Os estudantes podem fazer as denúncias de discriminação ou preconceito junto à Assessoria de Assuntos Estudantis, na coordenação do curso ou pela ouvidoria eletrônica (www.ufpr.br).


