Alunos denunciam humilhações e agressões
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quinta-feira, 07 de maio de 2015
Guilherme Batista<br>Equipe Bonde 
Londrina Quatro estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) revelaram, em depoimento prestado ao Ministério Público (MP) na última quarta-feira, detalhes da truculência policial sofrida por eles durante a ação que deixou mais de 200 feridos no entorno da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) no histórico 29 de abril. Uma das alunas teria sido obrigada por policiais femininas a ficar nua durante uma revista. "Eles sofreram violência física, verbal e moral, apesar de não apresentarem nenhum tipo de risco para a ordem ou segurança", destacou o promotor de Defesa dos Direitos Constitucionais de Londrina, Paulo Tavares.
Todo o material entregue pelos alunos será encaminhado pelo promotor para a sede do MP em Curitiba, que abriu inquéritos civil e criminal para apurar os excessos cometidos pela repressão policial no protesto. O MP já pediu ao governador Beto rixa (PSDB), o secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, e ao comando-geral da Polícia Militar uma relatório detalhando o plano ações aplicado pelo governo do Estado na manifestação. Paulo Tavares pretende ouvir hoje as vereadoras Lenir de Assis (PT) e Elza Correia (PMDB), que estiveram em Curitiba na semana passada, e professores da UEL. "Vou coletar os depoimentos e acrescentar as informações aos processos de natureza cível e criminal abertos pelo Ministério Público para apurar tudo o que aconteceu no dia 29", explicou. Mais de 80 pessoas já foram ouvidas pelo MP em todo o Estado.
DIGNIDADE FERIDA
Os quatro universitários que depuseram anteontem chegaram a ser detidos durante a ação policial. Três deles, do sexo masculino, foram mantidos em uma sala do Palácio Iguaçu. O trio contou ao promotor que foi agredido pela PM no caminho entre a Praça Nossa Senhora da Salete e o prédio do Executivo Estadual, no Centro Cívico em Curitiba. "Os rapazes revelaram que foram alvo de socos, empurrões e até chaves de braço, além de muitos xingamentos", disse Tavares. A aluna que teria sido obrigada a tirar a roupa também havia sido detida pela PM. "Os depoimentos deixam claro que houve excesso por parte da polícia. A situação descrita é lamentável. Essas pessoas tiveram a dignidade gravemente agredida", argumentou o promotor.
Os alunos também levaram ao MP os produtos utilizados por eles para amenizar a ardência causada pelo gás lacrimogênio da PM. "A polícia confundiu os medicamentos com artefatos que poderiam ser usados pelos estudantes durante um possível confronto", lembrou Paulo Tavares, que também recebeu dos universitários a bolsa de um policial militar que havia sido levada por eles durante a desocupação do entorno da Alep. "O grupo alegou que precisou sair correndo do local e acabou levando a mochila de um policial da Rone enquanto recolhia os seus pertences", disse o promotor.
Nesta semana, a reitora da UEL, Berenice Jordão, repudiou em entrevista coletiva as declarações do secretário de Segurança Pública, Fernando Francischini, que também em entrevista havia classificado alguns estudantes da UEL de black blocs, numa tentativa de justificar a prisão deles no protesto de 29 de abril.


